sexta-feira, 22 de março de 2013

Veronica Kills: em busca do "rocão"

Veronica Kills é uma banda de rock. E, acredite, essa simples definição já diz tudo sobre eles. Afinal, o quarteto paulistano só quer saber de tocar “rocão”, se divertir e se manter fiel às origens, sem pretensões de atingir grandes massas ou aparecer no Faustão.

Apaixonados por rock de garagem cru e sem firula, com clara inspiração em bandas como Ramones, MC5, Hellacopters, Turbonegro e Stooges, Alex Scotch (guitarra), Johann Vernizzi (guitarra e vocal), Matheus Lopes (baixo) e Giuliano Di Martino (bateria) formaram a banda em 2012 para tocar o que realmente gostavam. Meses depois, já se enfiaram em estúdio para gravar seu primeiro EP, batizado de "Disaster Tonight".

As seis faixas do EP de estreia foram gravadas, produzidas, mixadas e masterizadas pelo ilustre Chuck Hipolitho, que hoje toca na banda Vespas Mandarinas e é VJ da MTV (e que também ficou conhecido por fazer parte da banda brasileira de rock Forgotten Boys, outra influência da Veronica Kills). No estúdio de Chuck (o Costella, em São Paulo), o quarteto conseguiu registrar o som que tanto desejava: rock direto e simples, mas cheio de riffs; alto, com muita guitarra, sujo, despretensioso e sem frescuras.

Trabalhando de forma totalmente independente, sem selo ou gravadora, os meninos bancaram todos os custos do EP (os quatro têm empregos paralelos à banda), fizeram a capa do disco (Johann é designer e ilustrador), camisetas, adesivos e seu primeiro clipe, para a canção “Lack Of Soul”. O vídeo foi filmado com um iPhone e editado pela própria banda. O quarteto também faz a sua própria divulgação e até os cartazes de shows.


Hoje, o vídeo já está passando na programação da MTV e tem mais de duas mil visualizações no Youtube.

Confira indicações de músicas legais que o Johann fez para o "Não Toco Raul". Também conversei com ele para saber mais sobre a banda:

1) Como foi gravar com o Chuck? Por que o escolheram como produtor?
Gravar com o Chuck foi muito bom. Escolhemos ele porque sempre soubemos que ele era o cara ideal pra gravar nossa banda. Ele tocou no Forgotten, e teve as mesmas influencias que a gente. Então sabíamos que ia rolar uma comunicação boa, que ele ia entender aonde queríamos chegar.

2) Como começou a banda, como os integrantes de conheceram?
A banda começou, basicamente com o Matheus (baixista) e o Alex (guitarrista). Eles se conheceram num bar e marcaram de tocar. Depois eles chamaram o Giuliano (baterista), que era da faculdade do Matheus, e morava no prédio da avó do Matheus. Depois de várias formações que nao deram muito certo - devido a diferenças musicais e outros problemas - o Alex me indicou pra banda, porque ele sabia que eu tinha a mesma brisa da banda, e a gente já tinha tocado junto no Bulletproof. A partir daí, concretizou a banda, e as coisas começaram a rolar.

3) Quais são as suas principais influencias?
"Rocão". Principalmente proto punk e rock dos anos 70. New York Dolls, Stooges, MC5, Hellacopters, Turbonegro, Rolling Stones, Johnny Thunders & the Heartbreakers etc.

4) Como foi o processo de composição das músicas do EP?
Foi tudo errado. Começamos com apenas uma música. Depois decidimos gravar 3, depois mais 3. Fomos compondo conforme íamos gravando. O bom é que rolou legal. Não foi no desespero. Tava todo mundo tão pilhado, que nesse meio tempo já coemçamos a compor até o próximo EP. Só "Nothing to Lose" é uma música antiga minha, de 2008. Dos tempos do Bulletproof.

5) Como foi o processo de gravação?
Foi foda. Muita cerveja e muito rocão. Demorou um pouco pra finalizar, foram uns 4 meses, por causa das agendas do Chuck e do Costella, que estavam apertadas devido às gravações da MTV. O mais legal foi o resultado. Ficou exatamente o que queríamos: sem frescura, despretensioso.

6) E o clipe?
Meus amigos Pedro Zuccolini e Pedro Kobuti me ajudaram na direção e edição do vídeo. Levou dois meses pra ser gravado e três dias pra ser editado. Gravei tudo com meu celular. Aonde eu ia, gravava algo. Meus amigos me achavam idiota, porque não sabiam qual era a finalidade daquilo. A ideia do clipe surgiu de uma brincadeira no estúdio. Estávamos filmando as gravações no Costella. Aí o Giuliano (baterista) começou a filmar uma mãozinha cantando e achamos genial. Gravei a mãozinha em todos os lugares que ia, como shows e bares, mostrando os clichês da tríade "sexo, drogas e rock'n'roll". 

9) Qual é a maior ambição e o maior sonho de vocês como músicos?
Tocar.

No estúdio Costella, com Chuck Hipolitho
10) Fala um pouco sobre a arte do EP, foi você que fez.
 Eu desenhei a capa do EP. Gosto muito do trampo do Raymond Pettibon. Gosto do jeito como ele torna algo simples em "cool". E isso tem a ver com nosso EP. Todos temos emprego e pagamos tudo com o nosso salário, não temos selo nem nada. Então quis fazer uma capa que trouxesse um pouco esse ar de independente. E também qebrar o clichê de ter uma mina gostosa na capa. Por isso é uma velha.

11) Vocês já estão planejando alguma novidade?
O próximo clipe vai ser da música "Disaster", que é a principal do EP. Esse vai ser filmado em estúdio, com câmeras profissionais, set de filmagem completo. Também estamos planejando lançar o EP em vinil 7". Já temos algumas músicas novas e planos para um próximo EP. Mas, pelo que tudo indica, antes vamos gravar um mini EP de 2 músicas, provavelmente com covers de bandas que gostamos.

Clique aqui para ouvir o EP "Disaster Tonight" na íntegra.

Nenhum comentário:

Postar um comentário