sexta-feira, 1 de março de 2013

Entrevista especial: Charlotte Cooper (The Subways)

Charlotte Cooper é baixista e vocalista dos Subways, um power trio inglês que ficou famoso no mundo inteiro com a canção "Rock'n'Roll Queen". Em outubro, depois de oito anos sendo a maior fã dos Subways que eu conheço, finalmente consegui ver um show deles - no interior da Inglaterra, já que infelizmente eles nunca vieram para o Brasil. Nesse meio tempo, consegui contato a banda e a oportunidade da entrevista. Tive a sorte grande de não me decepcionar ao conhecer uma de minhas maiores ídolas. Além de linda, ela é super simpática e também muito acessível e humilde.

Os Subways conquistaram a fama ainda adolescentes. Aos vinte e bem poucos anos, já tinham rodado o mundo inteiro fazendo shows, viram seu maior hit virar trilha sonora de seriados e filmes (como "The OC", "Rock'n'Rolla" e o excelente longa alemão "A Onda") e o sonho de viver de música se concretizar. Trabalharam com o lendário produtor Butch Vig (que fez o "Nevermind", do Nirvana) e tocaram nos estúdios Abbey Road.

Hoje, ainda nem chegaram nos 30 e já têm 3 bons álbuns lançados, uma legião de fãs insanos em seu país de origem e uma carreira sólida de sucesso em festivais, onde frequentemente fazem o show mais intenso da programação. Mantém um relacionamento estreito com os fãs e realizam muitas ações de caridade - seu último disco, "Money and Celebrity", foi lançado em 2011 com apoio de um crowdfunding, sendo que todo o dinheiro arrecadado foi doado para instituições inglesas de apoio a autistas e crianças com câncer. O baterista dos Subways, Josh Morgan, é portador da síndrome de Asperger (um tipo de autismo). O trio é composto por Charlotte, Josh e seu irmão, Billy Lunn, guitarrista e vocalista que escreve todas as músicas da banda. O pai deles também acompanha o grupo como roadie (!) na estrada.

Eles são realmente incríveis ao vivo:


Confira a entrevista com essa artista tão inspiradora:

1) Quais são as suas maiores influências? E suas bandas preferidas?
Sempre fui muito influenciada por musicistas fortes e algumas das minhas favoritas são: Kylie Minogue, Madonna, Shirley Manson (do Garbage), PJ Harvey e Hole (banda da Courtney Love). Também fui influenciada por baixistas com um forte senso de melodia, como o Nick Harmer - do Death Cab For Cutie; o Alex James, do Blur; e o Chris Wolstenholme, do Muse.

2) Você considera a indústria musical machista? Já passou por alguma situação difícil por ser mulher e trabalhar nesse meio?
Não acho que a indústria, como um todo, seja machista. Mas o machismo definitivamente existe dentro dela. Há uma enorme falta de mulheres e musicistas, particularmente no mundo do rock. É muito comum para mim ser a única garota no palco por um fim de semana inteiro em um festival, por exemplo! Nunca entendi por que isso acontece, mas às vezes pode parecer meio intimidador estar em uma indústria dominada por homens. Sempre tive a sorte de estar rodeada por pessoas que me apoiam muito e que pensam que deveriam existir mais mulheres no rock. A única forma de mudarmos essa situação é tendo mais mulheres envolvidas, e eu sempre tento encorajar meninas que tocam, que têm banda.

3) Você gostaria de tocar na América do Sul? O que acha de fazer um show no Brasil? 
Nossa, a gente ia amar! Por muito tempo o Brasil e a América do Sul estão no topo da nossa lista de lugares onde queremos fazer turnê. Tenho certeza de que vamos conseguir fazer isso acontecer em breve!

4) Você gosta de música brasileira?
Tenho amigos brasileiros que fazem parte de uma banda incrível chamada "Wry". Eles têm melodias maravilhosas e são muito bons ao vivo. Mas, fora eles, meu conhecimento de música brasileira infelizmente não é muito extenso...aceito recomendações!

5) O que você gosta de fazer quando tem um tempo livre?
A corrida e, mais recentemente, o Triathlon se tornaram uma parte muito importante da minha vida fora da música. Eu participei da maratona de Londres duas vezes e faço parte de clubes de atletismo de Sheffield, onde moro hoje [o município fica no norte da Inglaterra e é a cidade natal dos Arctic Monkeys]. Estou treinando para minha primeira prova de triathlon Ironman, de longa distância. É a "Challenge Roth", que acontece em julho desse ano. Mas vou parar de falar sobre isso, senão posso ficar horas nesse assunto e vou acabar te entediando (risos).

6) Como é fazer parte de uma banda famosa desde a adolescência? Vocês começaram muito novos e, agora, o Subways já tem quase dez anos de carreira.
Nós vivemos momentos incríveis nestes últimos dez anos e tivemos experiências alucinantes como banda. Eu realmente amo o que faço, amo estar no palco e experimentar esse estilo de vida de estar em turnê. Amo conhecer novos lugares e conheci cidades e países onde eu jamais teria chegado se não fosse pelos Subways.

7) Você tem alguma ocupação além da banda? Tem outras bandas ou projetos?
O Subways sempre vai ser meu foco principal. Mas eu também atuo como DJ em algumas festas. Isso me mantém ocupada enquanto a banda não está em turnê e eu adoro poder conhecer pessoas que vêm dançar comigo!

8) E a banda, tem alguma novidade?
Estamos começando a trabalhar em um disco novo. Mas, por enquanto, vamos continuar a fazer shows e festivais para nos mantermos inspirados!

9) Do que você mais gosta nas turnês?
Acho que minha parte favorita de fazer turnês tem que ser tocar em um lugar pela primeira vez. Sempre ficamos nervosos e ansiosos pra ver como a plateia vai reagir e não tem nada mais emocionante do que ouvir as pessoas cantando as suas músicas e dançando com elas em um lugar onde você está tocando pela primeira vez. Eu amo conhecer novas culturas e sempre fico muito empolgada para dar uma volta e ver como é o lugar, absorver tudo.

10) Como é o processo de composição dos Subways?
O Billy é o principal compositor da banda. Ele escreve todas as letras e traz ideias de temas principais para as canções. Ele traz essas ideias para mim e para o Josh e, então, nós dois trabalhamos em nossas partes individualmente, para depois construir a canção como um todo juntos.

11) Qual é a sua melhor memória com os Subways? Qual foi o momento que mais te marcou na trajetória da banda?
Acho que tem que ser nosso primeiro show na Rússia. Foi absurdo tocar para mais de duas mil pessoas na primeira apresentação que fizemos no país, em Moscou. O barulho da plateia quando nós subimos no palco foi uma das coisas mais incríveis que eu já presenciei. A gente não conseguia acreditar que tinha tantos fãs em um lugar onde nunca sequer pisamos antes.

A Charlotte também escolheu as cinco músicas que mais tem ouvido ultimamente para montar uma playlist de indicações especial para o Não Toco Raul. Vai de Blood Red Shoes e Bat For Lashes a...Kylie Minogue, de quem ela é super fã! Dá uma olhada lá!

2 comentários:

  1. Nossa. Essa mulher me deixa louco rsrsrsrs. Em 2007, encontrei o "Young For Eternity" jogado e abandonado numa prateleira de um sebo (esses locais que comercializam discos, livros usados e outras coisas mais). Já tinha ouvido falar da banda, mas como sou muito seletivo no Rock e tenho tendência a ouvir bandas mais obscuras e desconhecidas não dei muita bola. Conversei com o atendente que, gentilmente me mostrou onde estava o aparelho para que eu pudesse escutar. Fui passando vagarosamente de uma faixa pra outra e pensei: Caramba isso é muito bom. Essa banda está resgatando o espírito verdadeiro do rock que há muito eu pensava ter acabado. Falei: Já era esse é meu rsrsrsrs. Hj tenho todos os albums e duvido que haja no globo terrestre alguém mais fã do que eu. Espero-os ansiosamente no Brasil. Venham logo, por favor!!!!!

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    1. Fabio, eu sou muito, muito fã deles também! Já viajei só pra ver show deles, já que infelizmente nunca pisaram no Brasil. Eles estão lançando um disco novo, você já viu? Achei muito legal a história sobre como você conheceu a banda! Muito obrigada por ter lido meu blog e deixado um comentário =) Eu ainda vou falar muito de Subways por aqui! Beijo!

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