quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Já pensou poder tocar com a sua banda preferida?

Imagina juntar um monte de gente normal, que não sabe tocar nenhum instrumento (apesar de gostar de música), com uma banda bacana. Aí os músicos e o pessoal tocam juntos. E fica uma lindeza! Isso já existe e se chama Playground Is. É um projeto canadense muito bacana de interatividade entre músicos e público, que tem como objetivo criar um ambiente colaborativo onde todos podem tocar, cantar, dançar e se divertir juntos. Assim mesmo, bem hippie, bem feliz. O lema do projeto é: "uma banda, uma plateia, uma meta". O artista tem uma hora para liderar uma colaboração com o público, com a meta de tocarem, juntos, uma música. Depois de algum ensaio, a performance é feita por todos juntos e o processo é gravado. A ideia não é sair tudo perfeito, mas sim garantir que as pessoas se divirtam.

O projeto Playground Is começou em Vancouver no ano passado e já teve gravações com as bandas Bend Sinister, The Human Statues, Metaphor e Watasun. Olha só:





O melhor de tudo é que, agora, o Playground Is também acontece no Brasil! A primeira edição foi realizada no fim de novembro, em São Paulo, com a banda Holger:



O evento foi realizado pela produtora D'Esquina e teve apoio da marca de roupas Emme, que sediou a gravação na sua loja de Pinheiros. O Holger escolheu tocar a canção "Tonificando", primeira faixa do disco "Ilhabela", que eles acabaram de lançar e é muito, muito bom. O público participou cantando o refrão e os backing vocals e tocando objetos inusitados no lugar de instrumentos - como garrafas de vidro, baldes e embalagens de CD de plástico, montando uma percussão diferente pra música. Para ensinar como tocar os objetos, encaixando as batidas na canção, os meninos do Holger gravam vídeo-aulas bem engraçados.

Conversei com Jairo Neto, que trabalha na D'Esquina e é um dos organizadores do projeto no Brasil, para entender melhor o Playground Is:

Como foi trazer o projeto do Canadá para o Brasil?
Os canadenses foram super receptivos quando entramos em contato com eles e, após alguns meses de negociação, conseguimos a permissão para fazer o evento aqui em São Paulo. O que nos ajudou foi ter a experiência de já termos trabalhado em alguns projetos com música, como o Compacto Petrobras, facilitando os planos de pré-producão para a gravação.

Por que vocês escolheram o Holger?
Tínhamos uma lista com alguns artistas, mas, consultando alguns amigos músicos, concluímos que precisávamos de uma banda que curtisse interagir com o público. O Holger se encaixou perfeitamente na proposta e, por já conhecermos os caras da banda, o contato foi super simples. Eles adoraram a proposta e, desde o começo, foram muito receptivos com o projeto, se dispondo a ajudar em todas as etapas. Mesmo com turnês e o lançamento do disco novo, eles abriam espaço na agenda para ajudar nos detalhes técnicos da gravação. O legal do projeto é justamente criar esse ambiente único entre banda e público. Tanto que essa versão de "Tonificando" que o Holger tocou é diferente de todas que eles já fizeram por aí! Acho que, quanto mais as pessoas se divertirem, mais estaremos felizes com o nosso trabalho.

Como eles prepararam as "aulas" para que as pessoas participassem tocando mesmo que não soubessem nada de música?
Esse é justamente o desafio principal do projeto. E o mais legal é que o Holger sabia que o público seria formado por pessoas comuns, sem experiência musical. Depois de pesquisarem um pouco, eles concluíram que a melhor música para a gravação seria a "Tonificando". Aí eles tiraram dela as partes rítmicas básicas para os tutoriais. A maior preocupação deles foi com o timbre de alguns instrumentos, como o dos baldes. Por isso, tivemos que ir atrás de alguns baldes feitos de um material específico! No dia da gravação eles foram super simpáticos com o público e se prontificaram a ensinar os trechos da música com calma.

Por que vocês escolheram gravar na loja Emme?
Da mesma forma que tivemos uma lista para as bandas, tivemos uma lista para os locais que serviriam de locação. Era importante encontrar um lugar que não fosse um bar ou uma casa de shows, tinha que ser um lugar diferente, onde não costumam acontecer apresentações de música. A loja Emme encaixou-se perfeitamente na gravação porque tinha um ambiente bacana e colorido, batendo com o clima da música que o Holger tocaria. A Emme também apoiou nosso projeto. E a Heineken também entrou, fornecendo cerveja e garrafas vazias que serviram para os instrumentos.


Quantas pessoas participaram da gravação? Como foi a reação do público?
Aproximadamente 45 pessoas. A recepção foi muito legal e foi interessante notar diferenças de comportamento entre o público brasileiro e o canadense. A música com que trabalhamos era bem animada e o pessoal no dia não teve medo de se soltar, pular e dançar. A organização do evento no Canadá ficou preocupada sobre como o público se comportaria por aqui, pois por lá eles normalmente ficam mais parados.

Você já pensa em fazer mais edições do Playground Is aqui no Brasil?
Sim! Queremos levar o projeto para mais cidades, mas por enquanto estamos só negociando ainda, então não temos como liberar muitas novidades. Queremos chamar alguma cantora para a próxima edição. Quanto ao local, já cogitamos galerias de arte e até um cabeleireiro! Mas ainda não temos nada confirmado, veremos! Para 2013 também existe a previsão de realizar edições em Nova Iorque (EUA) e Calgary (Canadá).


Para participar das gravações do projeto no Brasil e do Canadá, você precisa se inscrever no site do Playground Is. Eles não costumam divulgar as gravações antes de elas acontecerem. Ao invés disso, mandam um e-mail avisando quando os eventos vão rolar e que bandas vão participar para as pessoas inscritas em seu mailing. São sempre poucas vagas e as gravações são feitas sem alarde, como se fossem algo secreto e exclusivo.

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