quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Especial Rock Nordestino - Parte 1

Rock porreta, rock arretado!
Tem muita banda boa no Nordeste do Brasil

Se, ao pensar na Bahia, o que te vem à cabeça é imediatamente praia e axé, meu amigo, você pode estar muito enganado. Sim, o calor e o mar continuam lá, mas além do carnaval, da Ivete Sangalo e da Cláudia Leitte o estado é celeiro de várias bandas de rock que vêm pipocando no cenário independente nacional, assim como muitos de seus vizinhos no Nordeste. Alguns desses grupos já encontraram, inclusive, um grande reconhecimento – sem deixar de lado bandas nordestinas que têm muita experiência e anos de estrada, como o Cascadura (BA), que já existe há 20 anos! 

Muitos festivais de música também acontecem por ali – reunindo, inclusive, renomados artistas internacionais. RecBeat, Mundo, Coquetel Molotov, Grito Rock e Dosol são apenas alguns destes eventos. O DoSol existe desde 2003 e acontece todo ano em Natal (RN). Nessa edição de 2012, também migrou para outras cidades (Mossoró e Caicó - RN; e São Paulo - SP), reunindo mais de 90 atrações nacionais e internacionais (incluindo 34 bandas nordestinas e mais grupos brasileiros como Macaco Bong e Vanguart, além dos gringos The Slackers - EUA, Truckfighters - Suécia, Pez - Argentina e Silverados - Uruguai).

Como geralmente as pessoas não costumam associar o ritmo mais pesado de guitarra à essa região, traço aqui um compilado com as bandas contemporâneas que acho mais interessantes – e ainda grandes entrevistas com Leonardo Martinez, do Camarones Orquestra Guitarrística; com os meninos da Vivendo do Ócio e da Banda de Joseph Tourton.

Algumas bandas bem legais do nordeste:


VIVENDO DO ÓCIO
Salvador – BA
O quinteto soteropolitano é o maior sucesso do rock nordestino desde a década passada. Começaram sem grandes pretensões em 2006, mas, depois de vencerem um concurso de bandas realizado pelo Guaraná Antártica, lançaram seu primeiro disco e alcançaram a fama no VMB de 2009. Dominando a programação da MTV, conquistaram um espaço invejável para uma banda de rock nacional – e muito jovem. Ironicamente, acabaram se mudando para São Paulo. Mas nunca deixaram suas raízes e seu sotaque de lado. Com letras sempre em português e um som que remete na hora à bandas indie gringas como Strokes e Arctic Monkeys, eles chegaram longe: já fizeram parcerias com vários artistas e tocaram pela Europa, onde também gravaram alguns clipes. Em Londres, representaram o Brasil no Brazilian Day, tocando para mais de 15 mil pessoas. E, na Itália, dividiram palco com ninguém menos que o Lou Reed!!! O show deles é de lavar a alma, muito intenso e enérgico. Hoje, divulgam seu segundodisco (O Pensamento É Um Ímã), fazem um monte de shows pelo país e continuam sendo indicados a vários prêmios de música.


Recife – PE

Grupo instrumental que desde 2007 alia melodias delicadas a rock pesado, com fortes influências de música jamaicana e destaque para flauta transversal e escaleta. São canções muito bonitas e bem construídas, que fogem do óbvio. Os integrantes são muito jovens e fogem do estereótipo de banda manguebeat que ainda prevalece em sua cidade. Já trabalharam com o Buguinha Dub e estão para lançar seu segundo disco. Participaram de festivais de animação com um clipe lindo para a canção “A Festa de Isaac”.


Natal – RN

Banda instrumental formada por duas garotas (Ana Morena no baixo e Karina Monteiro na guitarra) e três caras (Leo Martínez na guitarra, Anderson Foca no teclado e Xandi Rocha na bateria). O som deles é uma mistura fina de Dick Dale, Ramones, Stray Cats, Autoramas e Hellacopters. Eles mesmos definem como " rock, ska e surf music". Na estrada desde 2007, já tocaram pelo Brasil inteiro (literalmente) e também no exterior (Uruguai e Argentina), têm videoclipes, dois EPs e dois discos lançados e já trabalharam com o Macaco Bong (excelente banda instrumental de Cuiabá – MT) e com o Chuck Hipolitho (músico, produtor e apresentador da MTV que fundou o lendário grupo Forgotten Boys).


João Pessoa – PB

Um Power trio insano em cima do palco, com a peculiaridade de o guitarrista tocar, na verdade, um violão “tunado”. O instrumento é bem tosco e não é elétrico, mas sim um violão acústico comum, surrado, que plugaram no amplificador de alguma forma precária. E que tocaram como se fosse uma Fender Jaguar com distorção no último. Super pesado e intenso. É assim que parece o Zefirina. A banda foi formada em 2003 na Paraíba, apesar de seus integrantes não serem todos de lá e, a essa altura, estarem sediados em São Paulo. Começou com Martim Nogueira no baixo, Ilson na viola e no vocal e Guga na bateria. Hoje, o Martim toca no Single Parents e o baixo do Zefirina foi assumido por Daniel Akashi, que era guitarrista e vocalista da infelizmente finada banda paulistana Ecos Falsos. Apesar de ter poucos membros e o instrumento de destaque ser um violão, o grupo toca muito alto e causa estrago por onde passa. É um som sujo, que mistura punk e surf music - e às vezes lembra os Mamonas Assassinas e os Raimundos. Em muitas apresentações, o pobre violão é destruído no final. Uma curiosidade: foram convocados para tocar no mega festival South By Southwest, no Texas (EUA), em 2011. Mas não conseguiram participar porque foram barrados pela imigração.


Este especial sobre Rock Nordestino é um projeto meio megalomaníaco do LADO Bá que vai sair em quatro partes. Amanhã, você pode conferir a entrevista especial com o Leo Martínez, do Camarones. Fique ligadinho!


* Toda a apuração do especial sobre rock nordestino foi originalmente feita para a revista "Quanto Mais Queijo, Menos Queijo - CMQMQ", uma publicação de alunos de artes plásticas da Faculdade Belas Artes de São Paulo- em uma parceria minha com o genial artista Fernando Feio. Se liga nas coisas que ele faz.

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