sexta-feira, 13 de julho de 2012

GIG ROCK com A Place To Bury Strangers e Single Parents

Pra uma madrugada de quarta-feira, ainda mais com final de Copa do Brasil, o Beco estava bem cheio.
Uma galera se aglomerava no balcão do bar para ver o jogo decisivo entre Palmeiras e Coritiba na pequena televisão de plasma ao lado das garrafas - e talvez por isso os shows tenham atrasado um bocado. Depois da conquista do Porco, já era quase meia-noite quando os Single Parents subiram ao palco com uma formação diferente: o vocalista e guitarrista Fernando Dotta e o baterista Rafael Farah tocaram acompanhados de Martim Nogueira no baixo. O Martim é muito legal, toca bem e fez parte do Zefirina Bomba, que se auto define como "uma banda da Paraíba que usa um violão todo fodido e faz um barulho desgraçado!". Na mosca. Gênios. Também participaram do show, como músicos de apoio, uma violinista que os marmanjões do gargarejo ficaram paquerando, um violonista com cara de grunge amigo da banda e outro guitarrista, o Zeeck Underwood, que toca e canta no Fire Driven e fazia parte do Ludovic, uma banda memorável da cena independente que fazia shows intensos e polêmicos no começo dos anos 2000.


Eu sou suspeita pra falar do Single Parents, sim, mas eles são realmente muito bons. Tinha muita gente lá que só foi pra ver o trio gringo mas curtiu bastante o show dos caras de São Paulo na abertura, elogiando entre as músicas e lotando a frente do palco. Depois deles, houve uma espera nem tão longa, mas cansativa, para o começo do show dos nova iorquinos do A Place To Bury Strangers. Além deles serem um power trio, o que desperta minha simpatia imediata, os caras me surpreenderam muito com o show. Apesar da demora em começar (quando foram começar a tocar já eram quase duas da manhã - e, lembrem: em plena quarta-feira!), eles fizeram todo mundo acordar e ficar hipnotizado olhando pro palco. Foi o show mais escuro, fumacento e alto que eu já vi. De propósito, claro. Como estavam tocando em uma casa pequena e fechada, o som reverberava ainda mais. E eles deixam tudo no talo e tocam bem forte. O chão tremia e era impossível conversar com o amigo do lado. Mesmo entre as músicas, quando a banda dava uma paradinha super rápida (porque eles fazem um estilo Ramones no palco e emendam bem uma canção na outra), era complicado se ouvir com as distorções chiando. Fora isso, estava tudo escuro, com exceção de umas luzes brancas em feixe que pareciam lasers. E  tinha muita, mas muita fumaça. Por isso era meio difícil de enxergar a banda no palco e fazer fotos. Mas, estando ali pessoalmente, dava um efeito bem legal e bonito de ver.


Eu destaco o baixista, Dion Lunadon, que além de ter esse nome incrível digno de personagem de história em quadrinhos é daqueles que se entrega de corpo e alma no palco. O cara se apresenta de forma muito intensa, mas sem nada de pose. Façanha pra poucos. Subiu na caixa de som, chegou tão perto da plateia que quase bateu com o baixo na cabeça de um pessoal do gargarejo (a minha, inclusive) e também canta e toca guitarra em algumas músicas. Eu mal conhecia a banda, só tinha ouvido umas 3 coisas deles até o show, mas fiquei encantada. Saí de lã querendo ouvir todos os discos e até agora as canções não saem da minha cabeça. É muito alto, muito sujo, muito barulhento, uma guitarrada de doer. Mas todo esse peso é aliado a riffs e linhas de baixo sensuais, bem cadenciados; e uma bateria elaborada e dançante. Tem um groove por trás da sujeira toda que acaba cativando, uma levada de ritmo que gruda. E eles são empolgadões no palco. Conseguiram até agitar um leve bate cabeça e fazer as pessoas pularem. Pra tecer uma comparação, no som lembram Joy Division e Depeche Mode. Apesar de serem sempre taxados como shoegaze, My Bloody Valentine e Jesus & Mary Chain. Lindeza! Eles tem um monte de EPs e três discos gravados, sendo que um acaba de ser lançado - o Worship. No Soundcloud deles dá pra ouvir algumas faixas.

Mas o mais legal de tudo foi conversar com o Fernando Dotta, dos Single Parents, no meio do show dos gringos; e descobrir que o cara estava maravilhado por tocar com eles, já que é um baita fã dos caras. "Eu tenho todos os discos deles, Bá. Quando chamaram a gente pra abrir o show do APTBS, eu nem acreditei!", disse, todo emocionado, olhando pro palco com a cara mais satisfeita do mundo. Ele contou que conheceu os americanos no camarim e que foram super simpáticos. E o trio, pelo jeito, está gostando do Brasil. Já se apaixonaram pelas caipirinhas, como é de praxe. Mas também elogiaram os sucos (os melhores do mundo, segundo eles). Eles ficam postando fotos de comilanças por aqui no Instagram. Ontem, tocaram em Porto Alegre. E, agora, seguem em turnê pelos EUA e Europa.
Clique aqui para ver mais fotos minhas do GIG ROCK.



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