terça-feira, 10 de abril de 2012

Roger Waters com catupiry

No domingão do dia da mentira, fui feliz da vida assistir o muro do Rogério Águas, no estádio do Morumbi. Tava louca pra ir, mas sem dinheiros. Aí meu padrasto, que deve ser o melhor do mundo disparado, me arranjou um ingresso e me levou com ele pra ver o show. Na pista!



Se liga nesse vídeo. Realmente "The Wall" é uma coisa absurdamente nababesca, apoteótica, épica e exagerada. Nunca vi um telão com imagem tão boa, som impecável (parece que você está vendo um Blue Ray com volume bem alto num sistema surround de home theater em casa - se você for RYCO, lógico); efeitos, explosões, fogos, bonecos gigantes, um avião cenográfico atravessando o estádio todo até cair no palco... O muro, então, é um espetáculo à parte. Realmente gigantesco, vai sendo fechado aos poucos, sem você nem perceber. Mas, quando tapa o palco por completo, dá até um arrepio. E você fica louco pra ver aquilo cair.

A homenagem ao mineiro Jean Charles
O único pecado de Roger Waters e companhia é o exagero ao tentarem parecer tão "politicamente engajados". Eles bem que podiam conversar com o Paul Simonon (que era baixista do Clash), para ver se aprendem alguma coisa. Ao invés de realmente agir e/ou mobilizar o público, apenas mostraram fotos de criancinhas e vítimas da guerra e do terrorismo no mundo, com música dramática e clima de tensão, num sensacionalismo de doer. Pior que isso foi um extenso vídeo com aviões que bombardeavam não com mísseis, mas sim com logos de grandes empresas como Shell e Volkswagen e símbolos religiosos: a cruz, a estrela de Davi judaica e a meia lua islâmica. Ficou pedante e piegas. A homenagem ao brasileiro Jean Charles, morto pela polícia inglesa de forma realmente estúpida em 2005, foi louvável e aplaudida. Mas estava no meio da pieguice forçada, com as criancinhas na guerra. A mensagem, que tinha boa intenção, acabou virando apenas chantagem emocional com drama digno de Datena. Triste. Mas, voltando ao show, à obra prima que é "The Wall" sendo tocado na íntegra: felizmente, para um dos líderes e fundadores da seminal banda Pink Floyd, apesar de tanta firula a música não fica em segundo plano. Roger Waters e sua grande banda de apoio tocam com gosto e são incríveis no palco, posicionados à frente, atrás ou mesmo em cima do grande muro branco. Pena que, para a platéia, a coisa era diferente.

Crianças brasileiras do Instituto Baccarelli fizeram o coro
para "Another Brick in the Wall - Part 2"
Eu nunca vi tanta gente mal educada em um show antes. Sério. E olha que eu já fui em muito show na vida (muito mesmo, já perdi a conta. Só em 2012 foram uns 23 e ainda estamos em abril). As pessoas pareciam mais preocupadas em mostrar que estavam no show do que em realmente estar ali. Entende o que eu quero dizer? Ao invés de assistir ao espetáculo, cantar junto, bater palma, gritar, se emocionar e prestar atenção no que rolava no palco, a maioria ficava de olho na tela do celular, mostrando pra todos os amigos do facebook, twitter, instagram e afins como eles eram legais e descolados. Muitos conversavam tão alto que nem o som impecável superava o papo, sempre bem babaca, aliás. Outros tantos empurravam as pessoas com grosseria e violência, sem pedir passagem, licença ou desculpas. Isso sem contar marmanjos mais velhos que o meu pai que insistiam em xavecar a mim e a minha irmã, chegando a nos cutucar, sendo que estávamos acompanhadas pelo meu padrasto e pela minha mãe. Nessa hora eu quase mandei um chute kung fu panda neles, mas me contive.

Gente, na boa: o que justifica uma pessoa pagar 300 reais num ingresso, se deslocar até um estádio fora de mão, pagar bem caro por tudo que consumir lá dentro, estar à frente de um dos melhores espetáculos musicais que existem e não prestar atenção?! Pior: o que justifica pessoas com idade (a maioria ali não era jovem nem molecada, como na maioria dos shows de rock), poder aquisitivo, educação e cultura (afinal, era um show de um disco do Pink Floyd) agirem de forma tão grotesca, desrespeitando os outros desse jeito? Saí do show feliz por ter tido a oportunidade de ver um grande espetáculo, mas sentindo uma vergonha alheia e uma raiva tão grandes que desejei que o mundo realmente acabasse em 2012.

Um comentário:

  1. hahahaha mas é verdade... as midias sociais acabam com qualquer seriedade nessa vida! Talvez a evolução do ser humano seja ver tudo através de um computador ou da tv.. vai se acostumando a esse som de blue ray ai! - Juan

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