segunda-feira, 12 de março de 2012

Lembra das fitas cassetes? Lembra de 1995?

Foi essa pergunta que o Foo Fighters fez na sua página oficial do Facebook no último sábado. Sim, me lembro das fitas K7 e de 1995, apesar de eu ter apenas 6 anos na época. Mas me pergunto se a molecada que tem uns 15 anos hoje vai saber do que estamos falando. A banda criou um aplicativo on-line que toca, na íntegra, o áudio de seu show no Festival inglês Reading em agosto de 1995É uma sacada simplesmente genial: o áudio do show é uma fita cassete, que roda num toca-fitas idêntico a um aparelho real. Você precisa clicar nos botões certos pra fazer a fita tocar, pausar, avançar, trocar de lado e tudo mais. Ficou tudo bem bonito e realista (os botões até fazem barulho!).

Se liga na escalação pro Reading 95!
De fazer inveja pra muitos dos festivais atuais.
No Reading daquele ano, os Foo Fighters tocaram em uma tenda, espécie de "palco alternativo". Mas já tinham potencial pra serem atração principal: a tenda lotou tanto, mas tanto, que as pessoas começaram a se machucar na plateia. Toda hora o Dave Grohl para o show e pede pra galera se acalmar, pegar mais leve no bate cabeça, não subir nas estruturas do palco e da tenda e não empurrar os outros. Foi um dos primeiros shows do grupo, logo após o lançamento do seu primeiro álbum, homônimo (o da capa de revólver). Diz a lenda que Dave Grohl gavou o disco todo sozinho e, depois, recrutou a banda pra começar a fazer show. É plausível. 

Na apresentação, eles tocaram quase todas as músicas do disco (com exceção de "Floaty"); mais "Winnebago", música de Dave Grohl lançada nos tempos do Nirvana sob o pseudônimo Late! (vai atrás dessa fita que vale a pena!); "Butterflies" e "Podunk" (das quais eu não sei nada sobre, honestamente. Podem ser sobras do primeiro álbum dos FF, lados B, enfim); além da hoje super famosa "My Hero", que só seria lançada oficialmente em 1997, no álbum The Colour and the Shape (que também tem o super clássico "Everlong"). Repara que a letra de "My Hero" no Reading Festival é muito diferente da versão oficial do disco de quase dois anos depois. Os integrantes que sobraram desse show na Inglaterra há 17 anos são o próprio Dave Grohl, o baixista Nate Mendel e o guitarrista Pat Smear (que já saiu e voltou algumas vezes).

A banda toca em São Paulo no Festival Lollapalooza daqui a apenas 26 dias (!), depois de ter recebido um monte de prêmios no último Grammy. Na ocasião, o Dave (que ilustra a capa da revista Rolling Stone brasileira de março) fez um discurso que incomodou muita gente, dizendo que os prêmios recebidos pelo álbum "Wasting Light" (lançado em abril de 2011) significavam muito para ele, pois era um álbum gravado sem truques, de forma analógica e crua, em sua garagem. Pro Grohl, isso quer dizer que voltamos a valorizar a "música humana", orgânica, imperfeita, o "elemento humano". Isso foi o seu discurso no meio do Grammy, confrontando uma maioria maçante de artistas extremamente produzidos. Daí a polêmica.

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