sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Tá com saudades das Donnas?

Eu tô. Uma das minhas bandas preferidas, as incríveis "The Donnas" andam meio sumidas. Mas o site MEOW (Musicians for Equal Opportunities for Women - legal, né?) fez uma entrevista muito boa com a guitarrista (e minha musa absoluta) Allison Robertson em janeiro. Tão boa que achei que merecia ser traduzida. Allison, a "Donna R", fala sobre os 20 anos de banda (!), as preparações do novo disco (que será o nono álbum de inéditas da carreira delas) e a aposentadoria da baterista Torry Castellano, que pra tristeza de todo mundo foi forçada a parar de tocar por problemas sérios no ombro, sendo substituída por Amy Cesari. Torry foi fazer faculdade em Stanford, uma das melhores universidades dos Estados Unidos. As Donnas não lançam nada desde o disco "Bitchin", de 2007. Elas tocaram no Brasil em 2007 e 2008. 


Confira a entrevista na íntegra:

Texto original: Carla DeSantis Black
Fazer firula ou não?

Allison Robertson tem sido a guitarrista das Donnas por mais da metade de sua vida. O grupo foi formado quando quatro amigas do Ensino Médio em Palo Alto, Califórnia, se juntaram para tocar em um concurso de talentos da escola. Enquanto a maioria das bandas parece durar no máximo dois anos, a longevidade das Donnas é uma verdadeira façanha. No ano que vem, a banda irá comemorar seu vigésimo aniversário.

As Donnas sempre foram conhecidas por um som bastante característico e cru. Até um ano e meio atrás, a formação original da banda permanecia intacta com a guitarrista Allison Robertson, a baixista Maya Ford, a vocalista Brett Anderson e a baterista Torry Castellano. Infelizmente, Castellano foi forçada a aposentar as baquetas em 2010, por conta de problemas persistentes no ombro. A antiga amiga de escola Amy Cesari foi então recrutada para substituir Torry e, aualmente, a banda está trabalhando na gravação de um novo álbum, que será o seu nono. Conversamos com Allison para ver como as coisas estão indo:

Então você está trabalhando em um novo disco das Donnas! Como está o processo?
Verdade! Estamos lenta e progressivamente esculpindo esse novo material desde o ano passado. Temos algumas demos prontas e devemos terminar mais algumas até o mês que vem. E poderíamos seguir várias maneiras de lançar o álbum, com quem e como fazer.

Este é o primeiro álbum que vocês fazem sem a Torry. Como está sendo isso?
Claro que sentimos a falta da Torry imensamente, mas nós ainda amamos tocar juntas e temos muito material e turnês sobrando. Amy, a nossa nova baterista, estudou com a gente no Ensino Médio. Dividimos muita história e temos o mesmo gosto musical. Ela é uma grande baterista e agita a banda, nos coloca pra cima quando toca. O material novo ainda tem a cara das Donnas, mas não é parecido com nada que a gente tenha feito antes.


Você se considera uma guitarrista extremamente técnica, virtuosa, de "firulas"?
Definitivamente, não! Eu não sei ler partitura, não sei nada de teoria, nunca fiz aulas de música. Nunca tentei tocar com um monte de "firulas", ou tocar muito rápido. Eu gosto de escrever levadas e solos melódicos, e se um lick mais rápido encaixar bem na música, então eu vou aprender a tocar aquele lick mais depressa. Mas eu não fico me cobrando, pensando se tem que ter alguma coisa impressionantemente rápida ou técnica em uma canção. Eu tento tocar o que a canção pede, e adicionar uma "história paralela" quando solo.


Você tem sido uma das Donnas por mais da metade da sua vida (uau), o que você sabe hoje que gostaria de ter sabido quando começou?
Ao mesmo tempo em que é importante ser sempre graciosa e educada, você nunca deve se esquecer de que sabe o que é melhor para você e para a sua carreira. Se eu pudesse voltar no tempo, eu me lembraria de não me preocupar muito com o que as pessoas pensam de você, quer você esteja no palco ou em uma reunião importante de negócios com uma gravadora ou outras pessoas do meio corporativo. Se você faz parte de uma banda, você tem que ser você mesma em todas essas situações. Os músicos deveriam abraçar essa ideia. Eu ouvi bandas e músicos discutindo sobre como deveriam se vestir e agir em uma reunião de negócios com executivos. Isso é ridículo. Se você veste calças de couro ou calça jeans rasgada com botas de cowboy normalmente, é isso mesmo que você deve vestir nessas situações. Nada de tentar aliviar ou fingir ser quem você não é só para agradar! Tem que ser você mesmo e se sentir confortável.

De que marcas de instrumentos você gosta? E quais são os equipamentos que você usa? Que guitarras e que amplificadores são os seus favoritos?
Eu toco guitarras Gibson e uso amplificadores Marshall. Gosto de usar pedais Boss no palco, porque eles são eficientes e compactos. Eu uso o programa de áudio Line 6 UX1 quando gravo demos em casa no Logic Express. os tons da guitarra às vezes soam até melhores do que em um ampli de verdade! Minhas guitarras preferidas são a vintage Gibson L6-S, minha Les Paul Custom Black Beauty e minha Custom LP dos anos 70, que é mais diferente. Eu comprei essa guitarra por um preço muito baixo em Berkeley (Califórnia, EUA). Me contaram que o seu antigo dono usava a guitarra para disparar fogos do palco. Aí me convenceram!

Por que não existem mais guitarristas mulheres "sérias", profissionais?
Existem sim muitas guitarristas sérias, mas acho que um dos motivos pelos quais elas ficam no anonimato é que tocar guitarra tem tudo a ver com a "vibe", não importa o quão técnico e virtuoso o guitarrista é, ele precisa ter uma conexão mágica com o instrumento. É com isso que as pessoas se ligam. O Eddie Van Halen é um músico muito técnico, mas ele também está confortável e se diverte quando toca. E é por isso que ele é tão famoso. As musicistas tendem a achar que elas precisam compensar o fato de serem mulheres na indústria da música, e com isso elas se tornam técnicas de mais (e chatas), exibidas demais (trágico) ou seguras demais, sem arriscar nada nunca (chatas, de novo). Na minha opinião, quanto menos você se importar em ser perfeita, mais interessante e magnética você se tornará.

Qual você acha que é o maior desafio em aprender a tocar guitarra?
O maior obstáculo para mim é superar a ideia de que um guitarrista tem que tocar as coisas mais desafiadoras para ser levado a sério. No começo eu me sentia assim e não conseguia me levar a sério. Isso durou muito tempo. Quando comecei a me interessar mais em expandir minha técnica, eu aprendi tudo nas canções que eu amava, e apliquei o que tirava delas no meu próprio material. Eu achava que estava tocando licks simples, rudimentares, mas aí as pessoas pareciam curtir meus solos. Me senti encorajada com isso e continuei no meu caminho, tocando o que eu gostava; e não o que as pessoas queriam que eu tocasse.

Como você gasta o seu tempo fora das Donnas?
Estou trabalhando devagarinho em conseguir dois diplomas, eu já tinha notas o suficiente antes de começar a turnê e sempre quis terminar o curso! Meu objetivo é me formar como bacharel em Psicologia primeiro, mas meu sonho é também me formar em História da Arte depois disso, antes que eu fique velha. Ainda tenho um longo caminho a percorrer, mas eu amo estudar, então estou ansiosa por isso! Além dos estudos, eu sempre leio Alexandre Dumas e, quando fico entediada, jogo Animal Crossing no meu Nintendo DS!


Sim, eu sei, ela é maravilhosa. Hahaha. A Allison tem 33 anos (mas nem parece, vai dizer), toca pra caralho, é inteligente, tem uma grande presença de palco, é gente boa (eu, groupie que sou, conversei com elas na primeira visita da banda ao Brasil) e sempre muda o cabelo. Deixo aqui um dos solos dela que eu mais gosto, tocado ao vivo. Começa nos 01min58seg. Extremamente viciante e "AC/DC":

 

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