sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Grandes mulheres

Ontem foi dia de lembrar de duas grandes mulheres que já perdemos, mas que deixaram sua marca, que mudaram o mundo com a sua arte.

ELIS REGINA
A Elis morreu no dia 19 de janeiro de 1982, com apenas 36 anos, vítima de overdose (cocaína e álcool). Depois dela, a música brasileira nunca mais foi a mesma. Elis, gaúcha de Porto Alegre, tinha uma presença de palco única e muita personalidade ao interpretar canções, com uma voz marcante, linda e poderosa. Ela foi a primeira pessoa a inscrever sua própria voz na "Ordem dos Músicos do Brasil", como se este fosse o seu instrumento. Ela também é mãe de duas pessoas que considero importantes: a cantora Maria Rita e o João Marcelo Bôscoli, dono da gravadora Trama (que originou o portal "Trama Virtual", uma das coisas mais geniais já feitas na internet e pela boa música brasileira). Quando eu era pequena, não entendia o jeito de a Elis cantar. Toda vez que ouvia sua versão de "Águas de Março", com as risadas, as palavras erradas na letra...achava que ela estava debochando. E tava mesmo. Mas depois você percebe que é genial.





JANIS POPLIN
A Janis nasceu em 19 de janeiro de 1943. Morreu em Outubro de 1970, com apenas 27 anos (a idade maldita), vítima de uma overdose de heroína.
Se estivesse viva, completaria ontem 69 anos e seria mais velha do que a minha avó. Sério.
Janis foi uma das primeiras mulheres a tomar frente em uma banda de rock, a se impor como líder e quebrar estereótipos machistas no showbussiness. E, apesar de a maioria esmagadora considerá-la uma mulher feia, ela namorou o Jimi Hendrix (!) por muito tempo e teve um caso com o Jim Morrison, em quem deu um belo pé na bunda. Portanto, não subestime o poder de Janis Joplin (mas pode morrer de inveja, é compreensível).

É verdade que no carnaval de 1970 ela veio para o Brasil. Mas a Janis não era nada famosa por aqui na época e passou quase despercebida, tirando os escândalos que causou pelo seu comportamento hippie (foi enquadrada na praia por fazer topless em plena era da ditadura de chumbo; expulsa de festas por seus trajes e "modos estranhos" - imagina a caretice da sociedade brasileira na época encarando uma mulher com o sovaco não depilado, roupas muito diferentes, cabelo super comprido e desgrenhado, que bebia descontroladamente, usava muitas drogas e ainda por cima era gringa e "feia").

Janis já era rica e ficou hospedada no chiquérrimo hotel Copacabana Palace, até ser expulsa por nadar pelada na piscina. Foi aí que um fã dela, o fotógrafo brasileiro Ricky Ferreira, a convidou para ficar em seu apartamento. Eles saíam pela noite carioca e foi em um bar underground sujão, cheio de prostitutas, que ela reencontrou o Serguei. Diz a lenda que os dois tiveram um caso e que o Serguei, rockstar carioca pioneiro em entoar o movimento hippie e psicodélico pelo Brasil, já tinha conhecido a cantora na casa dela em Nova Iorque, em 1968. Eu acredito! E, nesse dia em Copacabana, a banda dele estava tocando no bar trash e convidou Janis pra uma canja, à capela ainda. Deve ter sido o show mais bizarro da vida dela. Janis chegou a falar sobre isso para a revista Rolling Stone, pouco antes de morrer.



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