terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Há quanto tempo você não se apaixona?

Esses dias me apaixonei por dois argentinos...

Você já teve a experiência de gostar tanto de uma coisa que sente que se apaixonou por ela? Será que é possível se apaixonar por algo que não seja uma pessoa? Alguém vai me julgar dizendo que sou muito materialista por dizer isso? Talvez. Mas não é necessariamente amar uma "coisa", um objeto, um pertence. E sim uma pecinha de arte que mexe tanto com você que é impossível tirá-la da cabeça.

Foi assim que me apaixonei por dois filmes argentinos. O primeiro deles é a paixão mais forte: Medianeras. Uma hora e meia de suspiros, risadas, surpresas e muita identificação. Conta uma história que poderia ser vivida por qualquer pessoa que more em uma cidade grande e tenha acesso à internet: um cara e uma menina moram na mesma rua, em prédios que ficam um de frente pro outro. Eles sempre se cruzam, mas nunca se conhecem de verdade, nunca se falam, nunca realmente se enxergam. Porque a graça, gente, é que eles são simplesmente perfeitos um para o outro. Mas eles não conseguem se encontrar. Cruel. E genial!

O filme foi dirigido por Gustavo Taretto e, além da história fantástica de Martin e Mariana, mostra bastante a cidade de Buenos Aires, destacando sua arquitetura. Aí o legal é reparar além dos pontos turísticos bonitos, ver o lado da cidade que é mais real, mais local, e assustadoramente parecido com São Paulo, Rio e qualquer outro grande centro urbano. O nome do filme, aliás, retrata isso: "medianeras" são aquelas feias paredes vazias nos edifícios, as que não têm janelas, lisas e enormes, que dividem os prédios e as pessoas. Somam-se a isso um monte de referências à cultura pop e nerd (se você é fã de rock'n'roll e/ou Star Wars vai amar), uma baita trilha sonora e pronto, temos um filme maravilhoso.




Meu outro amante argentino é o filme Um conto chinês.
Por coincidência, fiquei sabendo dele vendo os trailers antes de assistir Medianeras. Aí você pensa: "meu deus, uma vaca! Como assim?!". Pois é, apesar de parecer super non sense, o filme foi inspirado em uma história real, e essa é a maior graça da coisa. Uma vaca literalmente cai do céu e é assim que se desencadeia toda a história de um chinês (Jun) que parte sozinho para a Argentina em busca de seu velho tio. Mas o coitado do chinês fica perdido e sozinho nas ruas de Buenos Aires depois de ser assaltado, até que Roberto, um portenho muito rabugento, decide ajudá-lo.

Os dois não conseguem se comunicar como gostariam e têm de conviver na mesma casa, já que a busca pelo tio chinês acaba sendo demorada e muito difícil. Jun é uma pessoa muito boa e cativante e, por mais que traga muitos problemas, começa a ajudar Roberto em sua loja de ferragens e agrada a todos os seus clientes e amigos. Assim, Roberto não consegue abandoná-lo, por mais que tenha tentado mandá-lo embora ou entregá-lo na embaixada chinesa. Sempre se arrepende e volta atrás.

O personagem Roberto é interpretado por Ricardo Darin, famoso ator argentino (que fez o premiado filme O Segredo de Seus Olhos), e é o grande destaque de Um Conto Chinês. Ele é rabugento, grosseiro, chato, fechado, sozinho, tem várias manias e coleciona notícias bizarras que recorta de jornais. Mas, ao mesmo tempo, acaba mostrando que tem um grande coração ao se envolver com Jun e se esforçar tanto para ajudá-lo. O filme é bonito e tocante, mas, acima de tudo, é uma comédia, que rende boas risadas e tem um final surpreendente. Uma beleza!



Os dois filmes ainda estão em cartaz nos cinemas de São Paulo.
E aí, tá esperando o quê? Não quer se apaixonar também?

Nenhum comentário:

Postar um comentário