terça-feira, 22 de novembro de 2011

Boa surpresa no último dia de SWU

Esse ano fui apenas ao último dia do festival SWU. 14 de novembro, segundona em Paulínia, debaixo de muita chuva, pude ver shows de bandas que eu já gostava bastante, como Sonic Youth, Black Rebel Motorcycle Club (que tocou no Brasil pela primeira vez) e Stone Temple Pilots. Mas o mais legal de tudo foi descobrir um artista que não conhecia e de quem fiquei automaticamente fã: o Miyavi. Esse cara é um doidão japonês de Tóquio que aparenta ter uns 19 anos (e, na verdade, tem 30, é casado e já tem duas filhas!). Fazia tempo que eu não via tanta energia explodindo em um palco.

Fica a dica pra você, lindo leitor: se for a um festival de música, tente flanar por aí, se perder, fazer amigos novos e conhecer artistas que nunca tenha visto antes. Abra sua cabeça. Dê uma chance pra alguma banda da qual você nunca tenha ouvido falar, nem que seja no intervalo dos shows que você mais quer ver, enquanto come um cachorro-quente. É a melhor coisa que um evento desse tipo pode proporcionar.
Miyavi no show do SWU

Andando distraída pelo festival depois de ver o Sonic Youth, comecei a ouvir um som muito diferente, um solo absurdo, que não entendia se era de baixo ou de guitarra. Fiquei muito curiosa e fui ver de perto o que acontecia no palco menor, o "New Stage", que nem telão tinha (!). Foi então que encontrei o Miyavi, tocando acompanhado apenas por um baterista. E nem precisava mais nada, mesmo, porque o que esse cara faz no palco sozinho vale por big bands de 20 integrantes pulando juntos. O Miyavi (se pronuncia "MIABI") toca guitarra sem palheta, faz uns dedilhados tretíssimos, aplica técnicas de contrabaixo, usando muito slap (que é quando você dá um "tapa" nas cordas e também as puxa com força, como se fosse estourá-las). A técnica dele é realmente impressionante e toda a plateia ficava hipnotizada, quieta e boquiaberta, com exceção das groupies na frente, que pareciam conhecer o japonês há bem mais tempo, berrando mais que fãs dos Beatles em 66, mandando uns "Lindo", "Gostoso" e "I love you", aquela coisa.

Se liga na técnica do slap do Miyavi e depois chora quando perceber que você não toca nada de guitarra:



A postura de Miyavi no palco é invejável, ele conquista a plateia facinho, tem um carisma estupidamente contagiante. Respeito músicos e artistas assim, que "se matam" no palco, que pulam, dão risada, gritam, provocam o público, conversam sem ser chatonildos. Que mostram estar curtindo fazer aquilo de verdade. O Miyavi além de tudo isso canta super bem e tem músicas muito interessantes, misturando rock, blues, música eletrônica e hip-hop. As músicas são bem enérgicas e agitadas, o show dava vontade de sair dançando. E dava pra perceber que a maioria das pessoas ali não faziam ideia de quem era aquela criatura, mas se espantaram com a apresentação e não conseguiam sair de lá. Peguei o show no comecinho e vi a platéia encher mais e mais até o final. O engraçado é que o Miyavi tem um estilo que a maioria das pessoas não respeitariam ou não gostariam de cara, num pré julgamento, porque é uma estética super exagerada e feminina. Sabe aqueles artistas de J-Pop e J-Rock que o pessoal que faz cosplay na Liberdade curte? Bem isso. Se você olhar uma foto do Miyavi antes de ouvi-lo ou vê-lo em ação tocando, provavelmente vai julgá-lo equivocadamente. Veja só:

O Miyavi "montado": nem parece a mesma pessoa
Ele surpreende em todos os sentidos, acho isso fantástico. No SWU, ele estava com um modelito bem mais "light" que de costume, com o cabelo na altura dos ombros, castanho, uma calça ultra justa, colorida e estampada de flores, uns óculos escuros de perua e um paletó preto. Logo no começo do show tirou os óculos e, lá pra metade, tirou a camisa, pra delírio das groupies, exibindo um corpo magro e todo coberto de grandes tatuagens pretas de kanjis, à la Yakuza.

O Bobô tocando de sunguinha
O baterista também era uma grande figura: chamado de "Bobô", era um cara forte e alto, até meio gordinho, que tinha um cabelão preto e liso bem comprido, preso num rabo de cavalo e depois num coque alto, tocando descalço, de SUNGA e camiseta. E olha que tava frio. O Bobô também era engraçado, não falava muito, mas fazia caretas e dava risadas ótimas, ajudava a animar a plateia e tocava muito. O Miyavi toca acompanhado de Bobô, sua guitarra e uma pequena base eletrônica de efeitos e looping. Só. De vez em quando, ele também recruta um tecladista, mas no Brasil veio só a dupla mesmo. Não que precisassem de mais alguma coisa, já que o barulho dos dois valia pelo Megadeath tocando no palco ali do lado, sem exageros (eu vi os dois shows, posso comparar).

Eles dois no palco juntos são a coisa mais "badass" que eu vi em muito tempo, e olha que eu costumo assistir a mais de 5 shows por mês, no mínimo. Eles parecem tão legais, tão descolados, tão fodas, tão confortáveis se apresentando. Uma lição de presença de palco e performance. Olha aí:

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