segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Novo EP do Macaco Bong

Uma das melhores bandas brasileiras acaba de lançar seu novo EP: depois da estreia oficial com o incrível álbum "Artista Igual Pedreiro", de 2008, o Macaco Bong volta com "Verdão e Verdinho", composto por 3 faixas:

1) Japabugre
Bem a cara deles, o estilo próprio do Macaco Bong abre o EP sem grandes surpresas, mas com muita qualidade. Só que, apesar de soar parecida com as músicas do primeiro disco, "Japabugre" é bem mais calma. É de impressionar a forma como a música é construída e costurada, como diferentes partes se encaixam com perfeição. No blog da banda, os integrantes comentaram que estão prestando mais atenção no processo de composição. Acho que já dá pra perceber o resultado disso na abertura do EP novo.

2) Morango Tango
Segue uma pegada mais tranquila, sem tanto peso e distorções. Além do nome ótimo, essa música passa uma sensação muito boa, é alegre, animada. No final, a virtuose do solo de guitarra suingado me pegou. E, pros padrões de Macaco Bong, é uma faixa curtinha: pouco mais de 4 minutos.


3) Quero Quero
Com quase 8 minutos, é a faixa mais psicodélica da banda. Começa pequena e vai crescendo, atinge um ápice e depois cai de novo, permanecendo bem calma. A Quero Quero flui, como se fossem ondas ou um rio, seguindo com uma leveza. Soa mais refinada, quase jazzy. Tem mesmo uma pegada forte de jazz, principalmente na bateria, que fica batendo lata nas caixas e mantêm um ritmo quebradinho, mas sem peso.

Você pode baixar o novo EP e o primeiro álbum do Macaco Bong de graça no perfil da banda no "Toque no Brasil": http://macacobong.tnb.art.br/. Também dá pra ouvir todas as músicas on-line, sem precisar fazer o download. No Trama Virtual, dá pra baixar as demos antigas deles também, se você for mais fã: http://tramavirtual.uol.com.br/macaco_bong.

O power trio (como não amar?) de Cuiabá, composto por Bruno Kayapy (guitarra), Ynaiã Benthroldo (bateria) e Ney Hugo (baixo), mora em São Paulo hoje. Mas voltou à terra natal para gravar o EP novo e já prepara também um segundo álbum cheio, embora tenham afirmado que vai demorar a sair. Ynaiã escreveu no blog que, antes de gravar o disco, eles querem testá-lo fazendo shows; e que o álbum novo terá mais "cara de Cuiabá" do que o primeiro. Também pretendem gravar músicas de suas ex-bandas.

O Macaco Bong estourou em 2008, porque o primeiro disco foi um tremendo sucesso de crítica. E os caras fizeram jus tocando ao vivo. Vi show deles pela primeira vez na Virada Cultural de São Paulo e fiquei embasbacada, de boca aberta, sem piscar e dizendo "ÓÓÓ!", porque é uma performance realmente impressionante de tão boa. Se matam no palco e não precisam de vocalista ou letras pra passar energia pro público. Aliás, a plateia gama tanto que começa a "cantar" junto a melodia das músicas, hahaha. Vi shows do Macaco Bong muitas outras vezes depois desse; e é sempre a mesma coisa, o povo parece ficar hipnotizado.

Eles já tocaram em praticamente todos os festivais independentes do Brasil (Grito Rock, Calango, Goiânia Noise, Varadouro, Jambolada, Demosul, Rec Beat, Porão do Rock e Humaitá Pra Peixe, entre outros) e em outros grandes como a primeira edição do SWU e o Primavera Sound, em Barcelona. também abriram o show do System of a Down em São Paulo no comecinho desse mês, além de excursionarem pela América Latina e terem sido a primeira banda "de rock" a tocar no Auditório do Ibirapuera (que bem que podia apostar mais nisso e dar espaço pra outros grupos do estilo, né?).

Hoje, a banda excursiona pelo Brasil com os argentinos Pez e participa de gravações de discos de outros artistas, como as bandas Finlândia e Gomez (também argentina) e o Vitor Araujo (pianista recifense prodígio super gênio e virtuoso, que ficou famoso por ser muito jovem e tocar músicas clássicas de forma impecável e com muito estilo próprio, além de fazer covers de bandas modernas, como Radiohead. Já vi o cara ao vivo e ele é incrível, pula como um rockstar maluco, toca em pé, entra no piano de cauda de cabeça - ! - uma beleza).

Eu adorei o EP novo, mas achei que podiam ter caprichado mais na capa (também, né, depois da capa incrível do "Artista Igual Pedreiro" - à esq. - fica difícil esperar pouco) e sinto falta do peso e do rock que eles tinham antes. Minha música preferida do Macaco Bong é "Amendoim", uma das mais pesadas do primeiro disco. Mas não dá pra discutir a qualidade do trabalho novo deles. É apenas uma questão de gosto, e eu curto mais quando eles soam mais pesados. O "Verdão e verdinho" tem uma pegada muito mais tranquila e jazz.

Deixo aqui o clipe de "Shift", a música mais curta e pesada do primeiro disco, porque o vídeo é sensacional. Começa com a banda interrompendo a música porque Dona Lourdes, a vizinha, liga pra reclamar do barulho. Aí o Bruno, o guitarrista, conversa com ela: "não tem nenhum cantor, não", rindo, mas com a maior cara de "QUE SACO" possível, hahaha! Mostra bem como o grupo devia se sentir no começo, com muita gente ignorante questionando o fato de ser uma banda instrumental. Aí vem a melhor parte: ele desliga o telefone e, calmamente, emenda um "Vâmu pará pooourra ninhuma"! HAHAHAHA!

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