sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Para lançar disco novo, que sai segunda-feira, Subways fizeram crowdfunding beneficente



Quem são “os metrôs”?
O Subways é uma das minhas bandas preferidas. É um power trio inglês formado por dois irmãos (Billy Lunn na guitarra e Josh Morgan na bateria) e uma garota (Charlotte Cooper, no baixo). O vocal é do Billy, mas a Charlotte também canta bastante, faz todos os bakings. Eles ficaram famosos com os hits “Oh Yeah” e, principalmente, “Rock’n’Roll Queen” (do álbum de estreia “Young for Eternity, de 2005), que chegou a ser trilha de comercial, seriado (The OC) e alguns filmes.

Em 2008, lançaram o segundo álbum, “All or Nothing”, produzido por Butch Vig (que fez “só” o Nevermind, do Nirvana), mais pesado e grandioso e envolto em grandes sufocos que podiam ter acabado com a banda. Explico: em 2007, o Billy teve que operar as cordas vocais e quase ficou mudo. Foi muito treta: ele não só corria um grande risco de parar de cantar e ter de se aposentar como músico, como poderia nunca mais falar na vida. Mas se recuperou bem e acabou fazendo um puta disco. Só que, continuando o drama, durante as gravações ele e Charlotte, que estavam noivos e namoravam há mais de 6 anos, terminaram. Para a nossa sorte, resolveram manter a banda e se resolver. 

Fizeram das gravações uma terapia (dá pra perceber bem nas letras os sentimentos deles com a separação e a dificuldade de se reconciliar depois (o Billy chegou a dizer que eles choravam no estúdio quase todo dia) e acabaram amigos, com um discaço, uma turnê absurda e a banda crescendo cada vez mais e melhor. De lá pra cá, os dois encontraram parceiros novos e, neste ano, se casaram. O Josh, por sua vez, teve uma filha linda. E no meio disso tudo veio o momento de gravar o terceiro disco. 



O disco novo: Money and Celebrity
O 3o disco dos Subways se chama “Money and Celebrity”, será lançado oficialmente na segunda-feira, 19 de setembro; e foi gravado em Londres com o produtor Stephen Street, que já trabalhou com os Smiths, o Blur e o Kaiser Chiefs.
“Eu queria resgatar o bicorde e as letras simples, queria escrever músicas de dois minutos de novo, sabe, um soco de dois minutos na sua cara! Nos inspiramos nos primeiros discos dos Vines, que são a banda preferida do Josh”, disse Billy Lunn . Ele contou que sempre compunha riffs simples e os descartava, mas que, dessa vez, decidiu apostar neles, e me prometeu em 2010 que o álbum novo não teria nenhum sintetizador nem efeitos de eletrônicos, só guitarra, baixo e bateria. “Puro rock de garagem”. Ele cumpriu a promessa! Também disse que viria tocar logo na América do Sul, mas parece que esse ano eles ainda não vêm, porque a tour européia está bem cheia até dezembro. Legal isso, ele responde os twits dos fãs direto e é super simpático. Ponha-se no meu lugar e imagine um dos seus ídolos te respondendo mensagens, pra sentir o tamanho do drama. Haha.

A arte gráfica do Money and Celebrity e o design novo do site dos Subways foram criados pelo www.dotsofjoy.com, inspirados iem jornais e revistas, que são a vibe das músicas, mesmo, alem da arte punk dos anos 70, notoriamente a utilizada pelos Sex Pistols.

Os Subways tocaram ontem na Alemanha no forte de Koblenz, uma construção medieval. O show era gratuito, lotou e foi insano (eles são bem populares nesse pais), e eu sei tudo isso porque transmitiram a presepada via streaming na internet. Genial! Daí pudemos ver que as músicas novas realmente funcionam ao vivo. E deu mais vontade ainda de ver um show deles...será que nunca virão pro Brasil?!




Crowdfunding beneficente (Não sabe o que é crowdfunding? Leia aqui)
Em março o trio lançou uma página no portal de financiamento coletivo “Pledge Music”, para lançar o disco novo. Mas, ao invés de usar o valor arrecadado, todo o dinheiro seria revertido para duas instituições de caridade: 

Click Sargent, associação de crianças e jovens com câncer e seus familiares, que mantém um hospital e uma sede comunitária. São parceiros do Subways desde que se conheceram no Festival Glastonbury de 2008. A Charlotte corre e participa de provas e maratonas organizadas por eles para arrecadar dinheiro.


The National Autistic Society, sociedade de pessoas com autismo ou síndrome de Asperger e seus familiares, que promove informações e esclarecimentos sobre a doença em campanhas e apoia tratamentos pioneiros. O baterista Josh tem a síndrome de Asperger, um tipo diferenciado de autismo, e participa ativamente dessa sociedade.

Achei o máximo e me inscrevi na hora! Todos os apoiadores receberam um link na última quarta-feira para baixar o álbum e o CD de extras, com versões demo e duas faixas bônus. Eu comprei o pacote mais barato porque a única coisa válida para quem morasse fora da Europa era o link pra download e uma versão de luxo do disco autografada, que vai chegar na minha casa semana que vem com uns brindezinhos (adesivo, button). Mas também era possível comprar cotas mais caras que davam instrumentos usados e autografados pela banda, livros de luxo com fotos da carreira do trio, passe para todos os shows da turnê do disco novo, pedais de guitarra do Billy, participação na gravação de um clipe, receber um show acústico deles em casa (só valia pra moradores da Inglaterra esse) e até passar um dia na casa do Billy e acompanhar um ensaio (eles têm um estúdio caseiro) com direito a jantar pizza com a banda depois (!!!) – eu queria muito esse.

Durante todo o ano, os apoiadores receberam notícias sobre o processo de gravação do álbum, o que os integrantes estavam fazendo, vídeos com versões acústicas das musicas novas, fotos, tracklist e mais um monte de coisa legal. Pra quem é fã, isso é o máximo! Poder acompanhar de perto a banda que você gosta, com tanta atenção e exclusividade. Os Subways souberam usar bem o sistema de crowdfunding e deram recompensas muito boas pros fãs apoiadores. Digo por experiência própria!

Escute o álbum novo de graça!
Você pode baixar a faixa "It's a party" totalmente de grátis e legalmente no site oficial dos Subways.


Também dá pra ouvir o Money and Celebrity inteirinho no site da revista de música inglesa NME. Eu que sou apoiadora ouvi o álbum oficial, que já baixei, mais o disco extra, e fiz uma resenha faixa-a-faixa pra vocês:

1) It’s a party 
Praticamente uma ode aos fãs: “I wanna travel so far, I wanna meet you all” (Eu quero viajar para bem longe, eu quero conhecer todos vocês).  E também uma ode ao “vamos aproveitar a vida, vamos nos divertir”. O disco todo tem essa pegada de celebração e valorização dos bons momentos com amigos, aquela alegria simples, jovem, sem grana, mas com muita diversão. Acho que não foi à toa que escolheram “It’s a party” para abrir o album. Também foi o primeiro clipe lançado para esse disco, com um vídeo simples mas poderoso, gravado ao vivo em um show insano na Inglaterra. Ah, como eu queria ter estado lá!



2) We don’t need Money to have a good time
Primeira música do disco a falar de grana mais explicitamente. De acordo com o Billy, seria uma resposta ao clima tenso causado pela crise financeira na Europa: “We don’t need money to have a good time. Forget our worries and do what we like” (Nós não precisamos de dinheiro para nos divertirmos. Vamos esquecer nossas preocupações e fazer o que gostamos). É uma música de protesto, e, apesar de não ser tão punk assim, é irônico que seja lançada logo depois das manifestações violentas que aconteceram na terra do chá das cinco. Mas foi escrita antes das riots. Acho que o Billy, que é ativista e sempre está muito ligado em política, já se ligou bem no que tava rolando e meio que adivinhou que a bolha ia estourar logo menos. Ele sempre se posiciona publicamente acerca de questões políticas da Inglaterra e da Europa e gusto muito de suas opiniões. O single foi escolhido para o segundo clipe do disco, mais produzido, filmado “outdoor” em várias paisagens inglesas de cartão postal (é um cartão de visita melhor que o vídeo das Olimpíadas de 2012, inclusive), com jovens fazendo festa, o trio tocando em cima de prédios em Londres (oi, Beatles), na praia em Brighton, no meio do mato; e por aí vai.



3) Celebrity
Vou causar polêmica: acho que a introdução e o riff principal dessa música foram descaradamente roubados do Bloc Party. Mas tudo bem, né. A letra critica uma garota que quer ser famosa e não está nem aí para os meios, para a arte, para a música. Ela só quer saber de glamour, de ser uma celebridade e aparecer em capas de revista. Eu acho que é um chute no saco de várias “divas pop” e bandinhas fabricadas, ainda mais as da indústria fonográfica inglesa, que duram umas 3 semanas, no máximo, até aparecer um hype novo.

4) I wanna dance with you
Como bons ingleses que são, eles cantam I wanna dAAnce with you. Haha. Acho lindo! Baladinha bonita bem Subways, com guitarra distorcida, linhas de baixo bem marcadas e diferentes, bateria cheia de viradinhas e o Billy gritando no final. Se fosse só voz/violão, seria uma musiquinha romântica meio melosa. Mas é bem legal.


5) Popdeath
Mais um chute no saco de toda a hypeza. Acho que o Billy andava meio revoltado com o mundo, além de festeiro, quando escreveu as músicas pra esse álbum. A morte do pop, as bandas de um hit só, os famosos que somem, o Top of the Pops, a própria NME, festas, sexo, drogas e rock’n’roll (apesar do Billy comportado cantar apenas “too much sex and rock’n’roll” e pular a parte das dorgas na música). Tem um solinho de guitarra simples mas delicioso no meio e bons backing vocals da Charlotte.

6) Like I love you
Uma das minhas prediletas desse disco novo. Letra de amor, mas nada melosa. Acelerada, distorcida, versos fortes e diretos, refrão grudento, berros roucos do Billy seguidos por vocais perfeitamente harmônicos com a Charlotte no backing. Bem Subways...aliás, eles meio que plagiaram a si mesmos nessa música! Pega a introdução e me diz se não é a mesma de “At 1 AM”, mas tocada uns tons mais grave e mais acelerada? Ha! Mas tudo bem de novo, porque, né, funciona. É uma das faixas com o melhor do vocal da Charlotte. E que puta sotaque =)

7) Money
Não é o Pink Floyd...ok. Mas é muito, muito boa. Tem uma cadência marcada, um groove. Uma das mais agressivas do disco, apesar de ter uns acordes abertos meio britpop/Beatles nos versos. A intro vem com baixo e guitarra distorcidos, bateria marcada e pesada e um solinho de guitarra rocks. A letra é revolts de novo. Crise econômica incomodando VS reações apáticas. Na ponte, chama a atenção o baixo da Charlotte brisando. E no fim uma virada de bateria animal do Josh.

8) Kiss Kiss Bang Bang
Fala que uma tal garota é um demônio. Hahaha. Como se o cara fosse torturado por ela. A letra é assim, nada muito profundo, uma garota má judiando de um pobre coitado apaixonado por ela que não consegue odiá-la e fica nessa. Mas o riffzinho é legal, o refrão é bem sonoro (a parte do “Kiss Kiss, Bang Bang!”) e animado. Uma música bem pra cima, apesar da letra sofrida. 

9) Down our street
Bem britpop garageira essa. Agora que os integrantes moram cada um em um canto, tão casando, tendo filhos e ficando “velhos” (vão chegando os 30, aí bate uma crise...), acho que o Billy teve uma nostalgia dos seus tempos de adolescente do interior inglês e fez essa música. Violão rápido e forte, guitarra leve, mas distorcida, pandeirinho meia lua, vocal dobrado com a Charlotte, pegada animada, nada agressiva, lembra bem algumas do “Young for Eternity”.

10) Rumour
Mais pesada desde o começo. Adoro os vocais dobrados do Billy no começo. Não sei se o efeito é só ele mesmo ou se tem o Josh cantando junto. O Josh nunca canta. E quase nunca fala, também. Guitarra bem suja, backing agudo demais da Charlotte na ponte. Mas eu gosto, tem um clima mais psicodélico no meio, a música pega uma levada de vai e volta, parece uma onda. Isso é bem legal. E a letra também revoltadinha contra fofocas acaba nuns gritos treta do Billy. Acho que desde que se recuperou da cirurgia ele berra sempre que pode, só pra garantir, sabe? 

11) Friday
Ainda bem que não tem nada a ver com a Rebecca Black, né não? E a vantagem é que agora, quando for sexta, não precisa mais mencionar a música dela nem aquela sertaneja “hoje é sexta-feiraaa”. Temos mais uma opção! E é muito melhor! Palmas. Mas achei irônico o nome, puta piada pronta, vai. Mais pesada e acelerada. Na pegada do All or Nothing. A letra segue a linha “hoje é meu dia, ninguém pode tirar isso de mim, nada de frustrações”. Mais uma ode à celebração. E aos pubs, imagino eu. Ingleses, né...e os caras são típicos mesmo, curtem tomar um pint vendo futebol e jogando dardos e bilhar.

12) Leave my side
Violão de aço, baixo marcado e bem alto (sem trocadilhos, por favor) – amo quando eles fazem isso!, letra sobre desentendimentos amorosos. Aí vem o refrão com guitarras e peso e o vocal fica mais agressivo. Mas, considerando o All or Nothing e as outras do disco novo, achei essa meio fraca. Tem uma bônus track mais legal do Money and Celebrity que eu colocaria no lugar, viu. E só não entendo essas letras de amor sofridas do Billy nesse disco, que ele compôs ultra apaixonado enquanto pedia a namorada nova Rowena em casamento. Durante as gravações, já tavam noivos morando juntos super firme. E agora casaram. De onde vem essa dor de pé na bunda, então?!

Bônus tracks e demos:
Existe um Money and Celebrity parte 2, disco de extras com todas as versões demo das músicas do álbum e duas faixas bônus inéditas. Sim, as faixas finais do álbum são diferentes das demos, mas nem tanto. Até porque o produtor Stephen Street gostou tanto das demos que usou boa parte delas no disco, mesmo. Ele queria deixar essa atmosfera de garagem, de rock mais sujo e simples. Já as bonus tracks são gravações mais toscas. Uma chama “Heartbreaker”, amei. Ok, é mais uma de dor de cotovelo por garotas “más”, mas não é melosa nem tão sofrida e a música é ótima, bem na pegada de transição entre os dois primeiros discos, forte, com o baixo viajando e a bateria fazendo viradinhas geniais. Os Subways conseguiram alcançar um estilo próprio, e essa música é uma prova disso, condensando tudo de legal que fizeram nos últimos discos. A segunda bônus chama “Massive Adventures” (lembrei do Flap Jack, hahaha) e começa embolada. A Charlotte canta mais grave, gosto disso, mas no começo achei a música meio paradona, apesar de gostar da letra “curtindo altas aventuras com essa turminha do barulho”. Aí vem uma pausa, uma bateria crescendo, um vocal lindo harmônico, o refrão e uma guitarrinha diferente, a música acelera e fica uma beleza!

4 comentários:

  1. muito interesante este tua visão sobre the subways. gosto muito da banda e esse ultimo cd ta muito bom! parabens pelo briefing de cada musica, ficou fiel ao que eu penso tbm.

    ResponderExcluir
  2. Nossa, achei seu blog procurando uma notícia sobre a Mallu!!Me identifiquei muito!!Gostamos das mesmas coisas!! Vou passar a visitá-la!! Espero que apareça pra dar um alô também!!

    ResponderExcluir
  3. Reis, super obrigada =D Eles são uma das minhas bandas prferidas também...eu sou muito viciada em música, é difícil apontar meus artistas preferidos, mas eles com certeza tão no topo pra mim, hahaha.

    Luciana, obrigada também por me ler, fico contente que vcs dois tenham gostado do blog e espero que leiam mais vezes =)

    Beijos!

    ResponderExcluir
  4. Olá, achei seu blog lendo outros.

    Achei muito boa sua resenha.

    Mas me diz uma coisa, não sabia que o Josh teve filha, sério? Com quem? Tem foto? Fiquei curiosa!

    Obrigada pela resenha e um beijo.

    ResponderExcluir