segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Single Parents e o crowdfunding no Brasil

Que raios é crowdfunding?
Crowdfunding pode soar complicado, mas não é nada mais do que uma “vaquinha”, só que na internet. O sistema de “financiamento coletivo” vem sendo aplicado na indústria de música e entretenimento com maestria por artistas e fãs, bem ao estilo “faça você mesmo”, para bancar projetos como videoclipes, gravação de álbuns e até realização de shows e turnês.

Funciona assim: o artista ou alguém relacionado (gravadora, produtora, empresa parceira ou até fãs) monta uma página na internet para recolher doações, estipulando um valor mínimo a ser alcançado para que o projeto possa ser realizado. Os apoiadores doam valores diversos, que na maioria das vezes são cotas pequenas da meta total a ser arrecadada. Ao final de um prazo pré estabelecido, se a meta é atingida, o artista recebe o dinheiro e materializa o projeto. Mas, se o total necessário não for arrecadado dentro do prazo, o projeto é cancelado e os apoiadores recebem seu dinheiro de volta (por meio de extornos, já que a maioria dos projetos de crowdfunding usa pagamentos via cartões de crêdito ou sistema PayPal). Na maioria dos casos, a página na internet para arrecadação do dinheiro é mantida por um portal de crowdfunding, que cuida do sistema de doações e “abriga” vários projetos artísticos de uma vez. A parte mais legal é que os apoiadores, que contribuem comprando uma ou mais cotas, recebem recompensas em troca. Além de ver o projeto sendo realizado e saber que você ajudou a fazer a coisa acontecer, os artistas liberam para os apoiadores conteúdo exclusivo (vídeos, músicas, informações de bastidores), passe livre para shows e ensaios e outras maluquices – tem banda que até leva o fã/apoiador pra jantar ou faz um show exclusivo na casa da pessoa, dependendo do quanto se doou.


Crowdfunding brasileiro dando muito certo
No Brasil, o esquema de crowdfunding vem sendo cada vez mais utilizado e já rendeu casos muito bem sucedidos. Um belo exemplo disso é o Queremos, movimento carioca LINDO que conseguiu organizar e mobilizar fãs de música alternativa e, de forma independente, trazer artistas internacionais para shows no Rio. Deu tão certo que inspirou novos projetos, como um movimento no Facebook que funciona nos mesmos moldes do “Queremos”, mas é um tanto mais megalomaníaco, tentando trazer os Foo Fighters pro Brasil com ingressos a R$50,00, sem o intermédio de produtoras.

Além da mobilização para trazer shows internacionais ao Brasil, o Single Parents é uma das primeiras bandas do país a usar o sistema de financiamento coletivo para bancar um disco. O power trio de São Paulo criou um projeto pedindo apoio financeiro para estrear seu primeiro álbum completo, depois de terem conquistado um significante espaço e reconhecimento com o excelente EP “Could You Explain?”, lançado em janeiro de 2010.

O projeto da banda está dentro do portal Catarse, primeira plataforma brasileira de crowdfunding, que apoia projetos de diversas áreas (vai de artes plásticas a culinária e jornalismo). O Single Parents já conseguiu atingir 98% da meta estipulada, com a ajuda de 70 apoiadores. Mas eles só têm mais 4 dias para o encerramento do projeto e, se não atingirem 100% da meta, perdem tudo o que conseguiram até agora. Que tal ajudá-los?!

Clipe muito bem feito para "Homesick", uma das 4 faixas do EP de estréia do Single Parents. 
Gravado pela Rua Augusta e no telhado de um prédio. Passou até na MTV.



Por que você deveria ajudar o Single Parents a lançar um disco?

A banda foi formada em 2009 por Rafael Farah (bateria), Fernando Dotta (voz e guitarra) e Anderson Lima (baixo), caras muito humildes e realmente legais que se tornaram heróis para mim depois de terem largado seus empregos, digamos, convencionais, para se dedicarem exclusivamente à música. E, sim, eles são MUITO bons. Uma das últimas sensações hypes, o Yuck, grupo inglês que vem sendo muito falado e tocou em São Paulo numa festa fechada da Puma em julho, disse em entrevista à MTV Brasil que é fã dos Single Parents; e que a banda paulistana é uma de suas referências. 


O Single Parents também é fã do Yuck e pode-se dizer que as duas bandas fazem parte da nova onda de resgate dos anos 90, uma certa "volta do grunge", que vem inegavelmente aparecendo na música, na moda, em festas e em blogs há algum tempo. O Single Parents usa muita distorção, Fender Jaguar, som "sujo". Pode lembrar Nirvana, Sonic Youth, My Bloody Valentine, Dinosaur Jr. e Teenage Fanclub. Mas também têm uma forte identidade própria e consegue manter um equilíbrio perfeito entre a massa de distorção do som grunge mais sujo e raivoso aliado a um vocal muito harmonioso, linhas de baixo envolventes, boas letras e melodias. É delicioso. Não é só barulho o tempo todo e, por isso, não cansa (que me perdoem por polemizar, mas acho que muita banda de som grunge e derivados peca pelo excesso nesse sentido); assim como acertam em não estender as viagens distorcidas por muito tempo, pecadinho cometido pelo Yuck e pelo Sonic Youth em algumas músicas, na minha opinião. E, se o primeiro EP do Single Parents já soa irretocável, acredito que possamos esperar grandes feitos para o álbum cheio, que vem sendo cuidadosamente preparado e recebendo um grande investimento por parte dos integrantes da banda.


O power trio (como não amar?) tocando uma versão acústica para "Last Conversation" ao vivo, semana passada, no Showlivre. Por enquanto, essa é a minha música preferida deles. Quero só ver as do disco novo!

“A gente fez um pé de meia, né? Fomos nos preparando antes”, me disse Farah, que já foi meu colega de trabalho em uma grande multinacional da indústria farmacêutica (sente o drama). E os três integrantes da banda tiveram a coragem que muitos não têm de sair do eterno “plano B” e seguir fazendo o que eles realmente amavam.

Mais uma coisa que mostra o quanto o Single Parents é sincero. Depois de juntar uma grana e largar seus empregos (é aquela camiseta genial “QUIT WORK, MAKE MUSIC” se tornando realidade, hahaha), em setembro do ano passado, eles se isolaram em um sítio no interior de São Paulo, bem ao estilo Novos Baianos, para preparar as músicas novas que recheariam seu primeiro álbum completo.

Em fevereiro de 2011, partiram para Nova Iorque para trabalhar com o produtor Roger Paul Mason, que já produziu artistas como os também paulistanos do Holger, Dirty Projectors e Mike Patton; e até trilha sonora de desenho animado da Nickelodeon. As gravações foram realizadas no estúdio Seaside Lounge, no Brooklin, por onde também passaram bandas como Beirut e The National; o Kele Okereke (vocalista do Bloc Party) e a Sharon Jones (que causou furor quando passou por aqui com os Dap Kings em junho, lembram?!). Tudo muito fino, não?


O Single Parents hoje: Fernando, Rafael (mais barbudo e cabeludo do que nunca - acho que é um bom sinal), o guitarrista Erick, que vem acompanhando a banda nos shows e tem uma ótima presença de palco; e Anderson. Se liga que tá todo mundo usando camisa xadrez na foto. Ah, esse povo grunge...

Na volta pro Brasil, em março, se trancaram no sítio de novo, dessa vez com o Mason, para fazer algumas gravações adicionais. Agora, o disco de estréia dos Single Parents precisa passar pelas etapas de mixagem, masterização e prensagem para poder ser finalmente lançado. Mas só temos 4 dias para ajudá-los a conseguir realizar tudo isso. Eu já fiz minha doação (orgulhosamente, fui uma das 10 primeiras pessoas a contribuir). Clique aqui e apoie o projeto!

Gostou da camiseta? Vende na Benedito Calixto!

UPDATE: 
Tô muito feliz de saber que o projeto do Single Parents já conseguiu superar a meta estabelecida e vai ser financiado! UHUL!!! Se você leu meu blog a ajudou nesse crowdfunding, deixo meu muito obrigada: http://catarse.me/pt/projects/211-lancamento-do-cd-da-banda-single-parents

Um comentário:

  1. Olá, estou passando para convidar você para conhecer mu DOCE blog.

    Quando puder passe por lá, vai ser um prazer ter sua companhia.

    www.tatidesignercake.blogspot.com

    ResponderExcluir