terça-feira, 9 de agosto de 2011

London's burning!


Sim, Londres está queimando. E não é de tédio, como dizia a música do Clash. É bem o contrário, mais pro que diziam os Smiths: pânico nas ruas de Londres, pâmico nas ruas de Birmingham. Enquanto todo mundo comenta sobre os vandalismos na terra dos Beatles e do chá das 5, fico pensando o que de verdade está motivando todo esse movimento violento na capital inglesa e por que tantos jovens estão envolvidos, praticamente liderando as ações.

Eu acredito que a Europa tenha passado os últimos anos dentro de uma bolha tensa prestes a estourar e que, agora, a meleca está feita e dando resultado. Vide Irlanda, Grécia, Itália, Espanha e outros países onde muitos protestos violentos ou não vêm rolando há meses. Acontece que, em um sistema econômico e social tão falível quanto o nosso, um dia a ordem mundial teria que mudar, mesmo. A gente vê nosso país crescer e se tornar mais forte, Brasilzão com manchetes tão positivas nos jornais de todo o mundo, a China até cansava de tanto aparecer no mesmo tipo de comentário - oh, céus, eles vão dominar o planeta! - Rússia, Índia e o escambau. Enquanto os chefes habituais da parada, que dominavam tudo desde a 2ª guerra mundial, entram em colapso - os Estados Unidos, depois do 11 de setembro, vêm parecendo cada vez menos poderosos, ricos e inatingíveis. A tragédia tão revoltante, provavelmente o fato histórico que mais marcou a minha geração, mostrou de forma completamente malévola que os terroristas conseguiram os resultados que esperavam com o atentado, afinal de contas.

Na Europa, rola o mesmo movimento de colapso, com economias caindo, com a sociedade insatisfeita, incomodada e, por fim, revoltada. Tenho família em Portugal e vi de perto as transformações e dificuldades que o povo lusitano passou economica e socialmente do fim dos anos 90 até hoje, com a mudança da moeda local (o Escudo) pro Euro; com o desemprego; com os preços sempre subindo. Nós vivemos hoje uma realidade de profundas transformações nas estruturas políticas, econômicas e sociais do mundo. Vemos e sentimos na pele um sistema dar errado, ser reformulado, readaptado. Vemos os líderes serem trocados.
E com tudo isso rolando ainda paira no ar uma confusão geral de desentendimento. Por exemplo: ninguém que eu conheço soube explicar de forma clara e satisfatória o motivo do comportamento dos ingleses nos últimos dias. Nem mesmo ingleses que conheço ou amigos brasileiros que estão por lá. E não me convence a história de que tudo foi motivado pela morte polêmica do Mark Duggan. Acho que esse caso está muito mal contado.
Além disso, me parece irônico comentarem tanto sobre as revoltas e vandalismos na Inglaterra hoje, já que os movimentos violentos que aconteceram em outros países europeus nos últimos meses não apareceram tanto - nem foram tão debatidos. Sem contar que atos tão violentos quanto os de Londres e que resultam em mais mortes ainda acontecem aqui no nosso Brasil toda semana e não são igualmente divulgados e debatidos. Mas talvez seja porque ninguém esperava algo dessa proporção na Inglaterra, ainda um dos países mais ricos e aparentemente estruturados e calmos do mundo. Ainda mais com as Olimpíadas sendo sediadas em Londres no ano que vem, o que assusta. Será que vão ter que cancelar ou adiar os jogos lá?
Tudo isso faz meu cérebro fritar de tanto refletir. Tem muita coisa errada ou mal contada nessa história toda. E, apesar de não concordar com a violência em nenhuma hípótese, acho que estes movimentos de revolta na Europa eram, de certa forma, previsíveis; e que fazem sentido em meio a uma crise econômica que balança totalmente a estrutura de poder a que estamos acostumados no mundo hoje, trazendo reflexos diretos às sociedades como um todo.
Só escrevi tudo isso porque sou obssecada por Londres, como muitos de vocês já sabem. E porque li muitos jornais hoje e fiquei filosofando tentando interagir todos os protestos que vem sendo feitos nos países de primeiro mundo nos últimos meses. Acho que tudo está interligado de alguma forma, e que logo menos a sociedade dos EUA vai entrar nessa, também. Isso sem contar os muitos protestos de países em situação bem diferente que vem rolando, como o Chile - pela educação; e países da Ásia (Tibet, repressões gravíssimas na China); do Oriente Médio (sempre eles, cara, que zica) e do norte da África - contra ditaduras e guerras pelo petróleo.

Pra coroar minha fritação, lembrei de um monte de músicas relacionadas aos acontecimentos de Londres e montei uma playlist pra ficar rolando no seu computador. Obviamente tem milhões de coisas do Clash. Escuta aí:



London's Burning - The Clash
Street Fighting Man - Rolling Stones
White Riot - The Clash
Welcome to London - The Dissociates
London Calling - The Clash
Riot Van - Arctic Monkeys
Johnny - Garotos Podres
Revolution - Beatles
Police On My Back - The Clash
God Save the Queen - Sex Pistols
Guns of Brixton - The Clash
Light It Up - Blood Red Shoes
Burn - Rancid
Streetfighter - Subways
English Civil War - The Clash
This Fire - Franz Ferdinand
To Hell Woth Poverty - Gang of Four
Anarchy In The UK - Sex Pistols
Safe European Home - The Clash
Panic - The Smiths
Campaign Of Hate - The Libertines
I Predict A Riot - Kaiser Chiefs
This is England - The Clash
LDN - Lily Allen


UPDATE - 10/08:
Bem que eu disse que tem coelho nesse mato!




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