terça-feira, 28 de junho de 2011

DORGAS, mano!



Calma, não é disso que eu tô falando!

Num sábado desses, um quarteto carioca doidinho de pedra fez show na Casa do Mancha, lugar muito legal na Vila Madalena, em São Paulo. Eu estava lá, curiosíssima pra ver como seria ao vivo a banda que soava tão interessante em mp3. Não foi a primeira vez dos caras em São Paulo (só na mesma semana eles tocaram na Augusta, no Tapas, e discotecaram no Neu - me recuso a escrever "atacaram de DJs"; isso sem contar um show mais antigo na própria Casa do Mancha, onde dividiram literalmente o palco com Holger e Inverness, alguns meses atrás, entre outras apresentações). Mas, ainda assim, a banda é bastante desconhecida, o que é uma pena, porque são tão bons ao vivo quanto em estúdio, como pude constatar.

Eu acredito que eles já merecem um grande respeito por se chamarem "Dorgas" e por terem lançado um single com LHAMAS na capa:


Sem contar que a banda ganha inúmeros pontos a favor por disponibilizar todas as suas músicas em alta qualidade para download totalmente grátis num bandcamp: http://dorgas.bandcamp.com/

O single das lhamas chama "Loxhanxha", nome que eu provavelmente nunca vou saber pronunciar direito; e é o segundo lançamento do Dorgas, depois do debutante EP “Verdeja Music”. Eles aparentemente adoram nomear suas músicas com palavras assim, inventadas talvez, bem complexas e brisadas, veja bem. A maioria, impronunciável. E sua música é para iniciados. Mas, ao mesmo tempo, trazem uma postura debochada e completamente humilde, fugindo de qualquer deslumbramento ou pompa. Tanto que a primeira gravação da banda traz a seguinte dedicatória: "Dedicamos este EP às nossas mães, Bebeco Garcia, Marques de São Vicente, Silas, "É a gente" e a demora no atendimento do McDonalds da Cinelândia". Eu ri. E se você não achou graça deve ser um chato de galochas.

No show, a postura cômica dos quato ficou ainda mais evidente, com camisa do Botafogo enrolada no pedestal do microfone, dancinhas, piadas ditas baixinho no intervalo entre as músicas em um sotaque carioquíssimo e veloz, muitas vezes incompreendido pela platéia. A pose exagerada que faziam pra entreter os presentes. Os pulos perigosos e as provocações entre si. E as muitas vezes em que eu, assistindo-os de pé na primeira fila, quase fui acertada com o baixo, uma das guitarras ou o microfone (lembrando que a Casa do Mancha é realmente uma casa térrea na Vila Madalena, e que ali os shows são feitos sem palco, no chão da sala). 

Recentemente, descobri que os integrantes do Dorgas são, assim como eu, fãs de longa data da banda paulistana Ecos Falsos, uma referência que explicaria toda essa postura palhaça deles no palco e na internet. Sem tirar o mérito da birutice própria dos cariocas, que parecem ser muito engraçados e legais de verdade (só falei com eles pelo Facebook, infelizmente).

Há alguns dias lançaram dois singles novos muito bons: "Grangongon", uma das minhs preferidas deles; e "Fez-se Cristo" (também já disponíveis pra download grátis no bandcamp).

O Dorgas foi formado em 2009 por Lucas Freire - bateria; Cassius Augusto - baixo; e Gabriel Guerra e Eduardo Verdeja - guitarras. Gabriel e Cassius também se dividem no teclado e nos vocais. Todos são bem novinhos - os dois guitarristas nasceram em 92 (!) e o baixista em 88; só não consegui descobrir a idade do Lucas - e tocam pra caralho. O som não é nada simples, mistura a base do rock com guitarra/baixo/bateria a uns teclados viajandões e improvisações de jazz, mais aparentes nas guitarras, com frases bem fritadas e umas melodias complexas. É muito gostoso de ouvir, na maioria das vezes é uma música bem relaxante, fluida, com vocal escasso entre as extensas levadas instrumentais. Mas às vezes as guitarras aceleram, a bateria pulsa mais agitada e o som vira uma coisa dançante e animada que lembra até as bandas hypes que tocam em toda festinha alternativa hoje (como Two Door Cinema Club, Phoenix, Vampire Weekend e Holger), mas não perdem uma identidade própria de texturas sonoras diferentes e mais complexas, quebradas bruscas de ritmo e melodia, nada óbvio, nada previsível. Me lembrou muito uma banda portuguesa de Lisboa, chamada Linda Martini, que eu gosto MUITO (recomendo, se você não conhecer).

As letras seguem o esquema nonsense, estética da banda, ao que parece. O vocal em si é difícil, muitas vezes não dá pra entender o que cantam à primeira audição. O sotaque carioca soa tão chiado em alguns versos que lembra mais uma vez os portugueses cantando. Mas o que mais me impressionou vendo o Dorgas ao vivo foram as guitarras, que soam limpíssimas, muito ritmadas, bem perfeitinhas mas, pra nossa sorte, bem suingadas, leves, com feeling. Não é um som duro e técnico, apesar do grande talento dos guitarristas, com destaque para o Eduardo Verdeja, menino magrinho que parece ser o mais novo da banda, mas que literalmente fez o queixo das pessoas caírem quando solava humilhantemente sem aparentar esforço algum suas frases de "jazz fritação". Muito impressionante mesmo a performance dele ao vivo.

O Dorgas vai tocar em São Paulo de novo no dia 14 de julho (quinta-feira), no Beco 203, nova casa na Augusta - filial do famoso bar de Porto Alegre. Vale a pena ver o show dos caras e eu super recomendo que você não perca. Eu só não vou estar lá porque estarei fora do Brasil.

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