quarta-feira, 4 de maio de 2011

In new music we trust

Eu abomino gente dizendo que, hoje em dia, não se faz boa música.
Se faz, sim, senhor! E como!
Acho que com toda a tecnologia que conquistamos e os adventos da internet estamos em uma fase onde é muito mais fácil para os artistas registrarem e divulgarem seu trabalho, o que é LINDO. Mais do que nunca aparecem bandas novas e é claro que, uma vez aparecendo muito mais coisa do que nunca antes tivemos acesso a, vão pintar materiais ruins ou simplesmente irrelevantes. Mas nesse meio do turbilhão de coisas e informações aparecem verdadeiros tesouros, e nada mais está escondido ou inacessível. Ah, as maravilhas da modernidade. Esse tipo de coisa faz meu olho brilhar e não consigo segurar um sorriso.

No nosso século XXI, só escuta música ruim quem quer. Repito.

Até a preguiça de "procurar coisas novas" ou se manter informado já não é mais uma desculpa válida, já que com tudo que temos hoje - principalmente se você tiver acesso a um computador com internet - a música boa (e nova, contemporânea) vem até você. Sim, cai do céu, pode esperar literalmente sentado. E ainda por cima é, na maioria das vezes, de grátis!!!

Mais um exemplo disso tudo que tanto insisto em repetir (pra ver se entra em algumas cabeças-ocas por aí) foi uma banda que descobri hoje (lendo o Move That Jukebox, site muito legal) chamada London Souls. Um power trio. Até aí eu já amei porque tem Londres no nome e é um power trio de rock "clássico" (coisas que me despertam simpatias imediatas). Fora isso, são nova-iorquinos, apesar do nome remetendo à capital inglesa, têm um negão de black power na guitarra e no vocal que é O MÁXIMO (o Tash Neal), um branquelo com a maior pinta de guitarrista na bateria (ah, ironias da aparência), que parece ter saído de um show do Led Zeppelin em 76 com seu cabelão comprido e cacheado (o Christ Saint); e um baixista que toca muito e não tem tanta cara de japonês, mas tem nome (Kiyoshi Matsuyama). A banda existe desde 2008. Rock de verdade, novo e bom. UAU, hein, quem diria? É possível!

Eles já tocaram no South By Southwest (festival animal que rola todo ano no Texas/EUA) e acabaram de gravar seu primeiro disco nos estúdios Abbey Road, em Londres - irônico, não? Vai ser difícil não compararem os London Souls com os australianos do Wolfmother, já que as referências das duas bandas são as mesmas e vêm bastante claras, notáveis à primeira audição...tá tudo lá: Led Zeppelin principalmente, os power trios do Jimi Hendrix, um tiquinho de AC/DC, Black Sabath, Deep Purple, mais um tiquinho de Pink Floyd. Enfim, rock'n'roll setentista cabeludo total.

Mas de qualquer forma nem o Wolfmother nem a London Souls soam como uma cópia de todas essas "bandas-influência" e, apesar de resgatarem um som antigo, pra mim são muito atuais e necessárias. Porque, apesar de gostar de umas bandas mais hypes, toda essa história de sintetizadores, agudos, tentativas de hits pra balada e musiquinhas de computador que dominam tudo que é indie e alternativo hoje me cansam.
Ainda fundo um movimento de rock ludita.
E, junto com a onda de bandas revivendo o som mais sujo dos anos 90 que tá crescendo por aí (uma volta digna do grunge e do comecinho do britpop), vejo como uma ótima notícia esse power trio resgatando o rockão clássico sem efeitos sintéticos, voltando a evidenciar a estrutura base de uma banda de rock - guitarra/baixo/bateria (ah, power trio, que beleza), trazendo de volta os riffs, o vocal sem afetação e bem menos agudo, músicas muito mais envolventes do que felizinhas. E é isso aí. Recomendo, ouçam os caras!


(Não se deixe enganar pelo óculos Ray Ban hype desse cara...)

Um comentário:

  1. Música boa ainda existe é só procurar, com a internet a pesquisa ficou mais fácil mas, muitas pessoas preferem que tudo mastigado e só ouvem bandas "conhecidas". Por isso sempre que posso indico novos sons para amigos.

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