segunda-feira, 25 de abril de 2011

Todo mundo ninguém


Assisti a um vídeo recomendado por um publicitário que é diretor de criação de uma das maiores agências do Brasil - e que ganhou ainda mais meu respeito por ser pai e skatista. O cara tem cacife pra recomendar coisas, mas muitas vezes acontece de publicitários como ele amarem vídeos que não me despertam tanto interesse. Eu, jornalistinha que sou, não consigo me impressionar com propagandas de carro com tanta facilidade, por exemplo. Mas esse me surpreendeu:


O vídeo vai construindo relações baseadas em imagens, sons e associações e, por mais americanizado que seja culturalmente, pode ser entendido por qualquer um e é tocante. A trilha sonora bem boa é do Surfjan Stevens, banda "hype muderninha". Eu gostei muito da sacada do vídeo e quis saber mais sobre ele.

Descobri que foi feito pelo Everynone, trocadilho esperto de nome com "todo mundo" e "qualquer um", anônimo e coletivo, um zé mané qualquer ou alguém igual a você. Transformar uma coisa banal, cotidiana, que não recebe muita atenção ou valor em arte. Parece que essa é a grande proposta deles, "um grupo produtor de filmes nova-iorquino" - de acordo com seu próprio site - sendo um dos integrantes Daniel Mercadante (não consegui descobrir se é brasileiro ou se tem alguma relação com nosso país, mas suspeito que sim).

Gostei dos caras, do nome e dos outros vídeos produzidos por eles, que me fizeram pensar e prestar mais atenção nas coisas bestas cotidianas acontecendo à minha volta. Como esse "words", que vai ligando "palavras" sem que ninguém as escreva ou fale - basta prestar atenção e perceber:


É isso que meu grande professor de literatura da faculdade queria me fazer entender quando viajava em brisas de mais de uma hora sobre o léxico. Curti, achei uma arte inteligente. O "words" fez sucesso e aí montaram uma versão dele só com vídeos que já existiam no youtube. Achei isso bem legal. E também gostei de um vídeo que se chama "moments", que pra mim explica o conceito de arte do grupo - transformar coisas banais em arte, em algo atraente, bonito, significativo e que propicie reflexão. Então assistam e reflitam. Brisem! Viajem na maionese. Porque talvez nosso dia a dia não seja tão desinteressante assim, afinal.

Pensa bem: será que você realmente sabe tudo que tem na sua rua? Já parou pra dar uma boa olhada à sua volta? Sabe pelo menos de que cor é a casa que fica ao lado de onde você mora? Muita gente olha e acha que vê, mas na verdade não enxerga o mundo.

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