domingo, 6 de março de 2011

Três à troi (três vezes à três)

Não sei vocês, mas eu costumo ficar filosofando sobre algumas convenções sociais...e vira e mexe fico me perguntando o que acho de casamento, orientação sexual, por que raios a gente sente atração por essa pessoa e não por aquela...e se devo acreditar em monogamia. Até hoje, todas essas viagens e questionamentos não me trouxeram nenhuma resposta e não sei dizer se tenho alguma opinião formada sobre estes assuntos tão polêmicos. Ainda mais agora, no meio do carnaval (hahahah brinks).

Mas acredito que seja realmente saudável questionar essas convenções, esses valores e condicionamentos, pelo menos pra gente ter um pouquinho mais de certeza do que faz, pensa, quer e opina nessa vida...e como eu sou do tipo que adora arte que faz pensar, resolvi fazer um post com indicações de três filmes dos quais gosto muitíssimo - sendo que os três tratam de relacionamentos à três: não monogâmicos, não heterossexuais, com triângulos amorosos complicados de verdade. Por mais que você seja conservador e não queira nem pensar em nada disso, vale a pena assistir aos três filmes abaixo. Claro que não recomendados pra menores (de 15 ou 16, vai):

Não tem como não gostar desse filme, cara! Louis Garrel, na minha humilde opinião o cara mais gato do planeta terra, aparece ao lado da Eva Green, uma das garotas mais bonitas do planeta terra, e do também nada mal Michael Pitt. No filme, Michael é um estudante americano que vai fazer intercâmbio em Paris, em pleno ano revolução de 1968. Lá, ele conhece os irmãos gêmeos interpretados por Eva e Louis, que já carregavam uma relação incestuosa super complicada. Aí os personagens de Eva e Michael começam a se apaixonar, mas rola uma tensão e um tesão reprimido por parte de ambos com o irmão da garota. Nisso, os pais dos gêmeos vão viajar e deixam o luxuoso apartamento livre para os três. Além das beldades, o filme também vale super a pena pela trilha sonora calcada nos clássicos do rock dos anos 60 (deus abençoe Hendrix e Joplin - e o Grateful Dead!), pelo retrato da juventude revolucionária (meio que de boutique) da época e pela fantástica homenagem à história do cinema, com citações e referências a filmes antigos e clássicos (foi daí que eu conheci um filme super sensacional dos anos 30 chamado "Freaks" - também recomendo!).

Filme catalão que rende boas risadas. Só por isso já valeria a pena. É uma delícia ver filme em espanhol com esse sotaque treta. Conta a história de uma menina que cresceu no restaurante dos pais, na beira da praia. Desde pequena, ela sabia que o que mais amava na vida era cozinhar e queria ser uma grande chef. A história se passa nos anos 80 e 90, como uma biografia dessa moça, a Sofía, contada por sua filha mais nova fazendo o papel de narradora. Desde pequena, Sofía também tinha outras duas paixões: Toni e Frank. Ela namora e casa com Toni, com quem tem dois filhos - mas, nesse meio tempo, volta a se relacionar com Frank, com quem tem um belo rolo desde o fim da adolescência. Toni é um cara exemplo, trabalhador e paizão, que até apoia Sofía em sua carreira no começo, mas quer manter a esposa na cidadezinha onde moram, quer que ela pare de cozinhar pra cuidar das crianças e ficar em casa. Já Frank é um eterno garotão, bem cafajeste, que tem o dom de lidar com as pessoas e entende tudo de restaurante, mas é um péssimo administrador. Mesmo assim, acaba dando a Sofía grandes oportunidades em sua carreira. Os três só conseguem ser felizes quando chegam a um acordo profissional e pessoal, quando os homens param de brigar por Sofía e se resignam em compartilhar a mulher e o restaurante que montam juntos para agradá-la. Mas aí os dois acabam se envolvendo também...o engraçado é que os caras eram machões e ficam relutando contra a atração que passam a sentir um pelo outro. Me diverti muito vendo esse filme, que mostra como a relação dos três influenciou a vida de toda a família de Sofía e dos moradores da pequena cidade onde vivem, trazendo à tona segredos das vidas sexuais alheias também, naquelas de que, de perto, ninguém é "normal". Vale também pelas referências ao mundo da alta gastronomia. Uma curiosidade/bizarrice: Olivia Molina, que interpreta Sofía, é muito boa atriz e também muito bonita. Mas eu não conseguia parar de pensar como ela lembra, fisicamente, o comediante e ator Eduardo Sterblitch, do Pânico na TV (que faz o repórter César Polvilho e o Fred Mercury prateado), em muitas cenas do filme. Repara!

Mais um filme com o Louis Garrel, pra vocês sentirem o nível da minha "groupeza". Mas olha, tietagens minhas à parte, vale a pena assistir. Primeiro porque o filme é um musical (!) que foge completamente do estereótipo desse estilo (ainda bem! Não tem nada de clima Glee, Broadway, brega, enfim). A trilha sonora é muito boa e as músicas não são nada forçadas, nenhum ator para pra dançar milimetricamente coreografado ou algo assim, apenas canta como se suspirasse, como você deve fazer às vezes tomando banho ou andando feliz pela casa. Segundo porque traz uma trama de relacionamentos que acabam se cruzando de uma forma muito curiosa e inteligente, dando um tapa bem dado na cara de qualquer conveniência em relacionamentos que exista na sociedade ocidental. A história se passa em uma Paris contemporânea, com jovens experimentando se apaixonar ou não em relacionamentos muito realistas, mas não comuns. Começa com o triângulo amoroso que se forma entre o casal Ismael e Julie depois que os dois passam a dividir a cama com Alice. Uma cena sensacional nesse pedaço do filme mostra os três juntos depois de fazerem sexo, tentando dormir em uma cama de casal que é pequena demais para todos eles. O desconforto e a tentativa frustrada de se encaixarem neste espaço resume e ilustra perfeitamente o sentimento reprimido e o ciúme escondido em seu ménage, ao passo que os três vivem brigando mas fazem pose de liberais-modernos-bissexuais-não monogâmicos. Quando esse triângulo amoroso finalmente desaba, Ismael parte pra libertinagem e não se conforma até se apaixonar por outro cara. Ou seja: o filme destrói o estereótipo do casal perfeito, o mocinho e a mocinha, coloca na mesma cama o mocinho e duas mocinhas, imperfeitos, humanizados e, como se não bastasse, para terminar junta dois mocinhos no final feliz! Eu vi esse filme no cinema e dei risada das reações horrorizadas e chocadas de algumas pessoas de cabeça mais estreita na plateia. Muita gente, incluindo eu mesma, não concorda com tudo que os personagens fazem na história. Mas isso é muito diferente de xingar, fazer comentários jocosos ou até mesmo sair puto da vida da sala do cinema. Prova de que o filme não só faz pensar, como também provoca sem apelação. Lindo.

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