quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Mas, afinal de contas, o quê eu tenho que caçar?

Tendência. Trend. Cool hunting.
Caçar novas tendências não é a mesma coisa que apontar modismos ou ondas de comportamento, como descobri pesquisando e consultando pessoas que entendem de verdade do assunto. Em São Paulo, já existe até um curso de extensão acadêmica sobre isso, ministrado pelo Instituto Europeo di Design (IED).
O caçador de tendências é praticamente um flanêur, só que com uma meta final já definida. Tem que se “perder”, vagando pelo mundo e observando as pessoas, para assim encontrar ações repetidas que denotem um tipo de comportamento coletivo, interessante o suficiente para que influencie mais e mais pessoas. Esse potencial de expansão, influência e crescimento é o que vai caracterizar a ação repetida por uma quantia de pessoas em uma tendência, algo que possivelmente se tornará moda ou onda. O “cool hunter” precisa de um senso muito apurado de observação e percepção, enxergando além do que a maioria vê, saindo do senso comum, do condicionamento visual e cultural, para uma pesquisa de olhar, uma análise social questionadora. O caçador de tendências é uma mistura articulada de antropólogo, sociólogo, filósofo, jornalista, analista de inteligência de mercado, especialista em marketing, moda e semiótica. Ele consegue “prever o futuro” adivinhando o que este grupo provavelmente fará em seguida, como trilhará suas ações, aparência, desejos e gostos.
É aí que entra a diferença entre os três termos:

Tendência não é algo que já está estourado, não é algo que já virou modismo e se espalhou por aí. É um comportamento repetido por apenas algumas pessoas que tem potencial para virar moda ou onda. Ou seja: é tendência o que tem força pra crescer, influenciar, provocar, questionar, construir. Pode ser uma roupa, pode ser uma música, pode ser um lugar. É a repetição de um movimento, em uma mesma direção ou freqüência, por um grupo seleto de pessoas; e que possa vir a formar opiniões e a ser propagada. Mapear tendências é analisar comportamentos sociais com potencial de crescimento e influência e, principalmente, entender por que eles estão acontecendo. Paralelamente a isso, é preciso analisar formas de aplicar estas descobertas, associando-as à realidade da sua marca e/ou empresa.
Moda, por sua vez, é estilo em roupas e acessórios, sendo forte e diretamente influenciada pelas tendências, mas também pela criação e apostas dos artistas (estilistas), que também lançam eles mesmos novas tendências. A moda vem e vai, se repete e se reinventa, mas sempre será a arte ligada ao vestuário, à aparência e à estética (não que isso seja algo ruim).
E onda é o que no senso comum chamamos de “modismo” sem estar relacionado a vestuário: uma gíria sendo amplamente utilizada por vários jovens, um celular diferente que virou objeto de desejo e está sendo vendido como água, uma banda, um site, enfim, uma infinidade de coisas que já estejam difundidas e amplamente absorvidas por uma grande fatia da população, tornando-se comuns, evidentes, repetidas à exaustão – até que as pessoas se cansem dela e que ela morra, dando lugar a uma nova onda. Exemplo: o uso do Orkut. Cresceu cada vez mais entre os brasileiros, atingiu seu ápice e agora está caindo, com a migração dos usuários para outros portais (principalmente Facebook e Twitter).
Tendências são forças sociais culturais e econômicas que formatam a sociedade e influenciam a maneira com que as pessoas fazem suas escolhas. São comportamentos que geram necessidades e, em uma visão empresarial, podem se transformas em produtos e serviços. Quero MUITO achar essas tendências, dividi-las com vocês e propor soluções e sugestões para aplicá-las à realidade da DM9, seguindo meu intuito, meu feeling, meu olhar, meus sentimentos. Trazendo o lado Bá de ver o mundo. Vocês deixam? (DIGAM SIIIIIM!)

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