domingo, 5 de dezembro de 2010

Lojas colaborativas e docerias focadas

Aqui em São Paulo começaram a aparecer mais e mais lojas colaborativas, onde o espaço é alugado por artistas ou marcas independentes para que seus produtos sejam expostos e vendidos, em um esquema que segue os conceitos da web 2.0 e das mídias sociais. As lojas colaborativas são uma evolução das “feirinhas de artesanato” da cidade, como a da praça Benedito Calixto, a da Vila Madalena e a do Center 3, na Paulista, que há tempos vendem muito mais do que apenas “artesanato”, incluindo criações de novos estilistas e designers e produtos industrializados mais modernos e alternativos.
Um exemplo deste tipo de loja é a Endossa, que começou na Rua Augusta e hoje tem franquias na Vergueiro, dentro do CCSP, e em Curitiba. O espaço da loja é todo dividido em caixas, sendo que cada uma delas possui uma meta mínima de vendas. Quando você compra um produto de uma das caixas, representando um artista ou marca, você está endossando que esse artista (ou marca) continue participando da loja, e até que consiga mais espaço para novos produtos. É assim que funciona a filtragem colaborativa da loja, onde os produtos expostos vão sofrendo uma rotatividade à medida que fazem ou não sucesso com os consumidores, abrindo espaço para que novas mercadorias sejam expostas sempre.
 Em Pinheiros tem a Tu – mercado de arte e moda, que segue um modelo parecido, expondo peças de artistas de várias regiões do Brasil e também de outros países, com um mezanino onde acontecem shows e festas. Na mesma loja, você encontra móveis, perfumes, brincos, roupas infantis, sapatos e luminárias, entre muitas outras coisas.

Estas lojas são legais não apenas pela diversidade e produtos originais, como também pela proposta de apoio aos artistas independentes (marcas criadas por estudantes de moda, por exemplo) e pela influência do público consumidor. É uma forma mais autônoma e sustentável de varejo, que oferece espaço de um jeito mais democrático. Em contrapartida, vêm pipocando pela cidade docerias que vendem só um tipo de guloseima, focadas em uma especialidade. É o caso de lojas como a Maria Brigadeiro, a portuguesa O melhor bolo de chocolate do mundo e a Wondercakes (especializada em cupcakes, bolinhos americanos que viraram hit e agora são vendidos até em padarias de bairro).
Essas lojas são quase um oposto das colaborativas, com todo o foco de vendas em um só tipo de produto especializado, mesmo que apresentado em diferentes versões, e estão fazendo cada vez mais sucesso – os cupcakes e os brigadeiros de luxo se tornaram opções finas de presente). Parece que as duas ondas vão continuar por aqui. O curioso é que, para comida, o paulistano vem procurando lugares especializados em uma coisa só, enquanto que, para vesturário (seja da casa, dos filhos ou dele mesmo) e estilo, os espaços com diferentes ofertas e produtos alternativos seguem crescendo cada vez mais. Que o diga a feira do Center 3 BOMBANDO até entupir a calçada da Avenida Paulista, faltando ainda 20 dias para o natal. Pluralidade é uma coisa que está sempre na moda em São Paulo.

Um comentário:

  1. Adorei esse post, muito interessante. Trabalhei com merchandising de varejo por muitos anos e não conhecia esse conceito de loja colaborativa, adorei!!
    Um beijo,
    Aline
    www.alinequines.com

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