domingo, 19 de dezembro de 2010

Da terrinha

Portugal rock'n'roll. Sim!

Minha família veio do norte de Portugal para o Brasil no começo dos anos 60. Por isso a cultura de lá é muito forte na minha casa, tem um monte de parente meu que ainda fala arrastado e eu nunca comi peru de natal na vida. Me orgulho muito dessas raízes (gente, eu até torço pra Lusa, sente o drama!) e tive o privilégio de conhecer e me apaixonar perdidamente por aquele país pequenininho, mas a última vez que estive lá eu tinha só 11 anos. Agora, com 21, certamente eu veria tudo de outra forma, apesar de o encantamento provavelmente se manter gigante.

Depois de começar a tocar guitarra e a gostar cada vez mais de música e rock, uma coisa que eu comecei a me perguntar era se eu ia gostar das bandas locais da cena alternativa de lá, já que comecei a acompanhar adictamente a cena daqui e, como tive algumas bandas, também participei dela de certa forma. Mas pela internet era ainda meio difícil encontrar essas bandas modernas de rock português, pelo menos foi pra mim quando eu tava no colegial e morria de curiosidade sobre isso.
Imaginem então qual não foi minha surpresa ao me deparar, semana passada, com uma reportagem no excelente blog Scream & Yell sobre a cena lusitana! Eu gritei um "aaaah muleque, finalmente!", e só sosseguei depois de baixar tudo que consegui achar no Google sobre a banda Os Pontos Negros, que o Pedro Salgado, correspondente do blog em Lisboa, indicava e entrevistava. Dias depois saiu uma outra matéria completíssima dele no mesmo blog, apresentando várias bandas de lá, uma mais legal que a outra. Aí que eu fiquei emocionada mesmo, gente!

De todas as dicas dele, minhas preferidas são Os Pontos Negros, que têm uma pegada bem Strokes mesmo, apesar de já terem feito essa comparação mil e uma vezes. Rock animado com riffs e refrões grudentos, daqueles que mesmo sem entender o que o cara fala direito você vai decorar e cantar junto (eles vêm de Queluz, cidade interiorana próxima de Sintra e do Castelo da Pena, o mais bonito que eu já vi na vida, com estilo mouro andaluz colorido, que era residência de verão da corte real); e fazem clipes divertidos; e a Linda Martini (da capital da torre e dos pastéis de Belém, Lisboa), que é quase um Toe* lusitano, de math rock doidão e limpo, lo-fi, melancólico e bonito, com uma menina no baixo (uhul! mais um ponto positivo) e, depois de muita brisa instrumental, algumas músicas cantadas com aquele sotaque gostoso!


Me deu mais orgulho ainda da terrinha e a vontade de voltar pra lá cresceu bastante depois de ficar fã dessas bandas portuguesas. Sem contar que é MUITO legal a gente poder ouvir bandas de rock de fora do eixo EUA/Inglaterra, com sotaques estranhos aos nossos ouvidos, timbres diferentes, letras nas quais precisamos prestar mais atenção..adoro descobrir bandas e super recomendo a experiência de sair do comum! Quem aí sabe me indicar uma banda de Veneza e outra da Sérvia, agora? Haha

* Toe é uma banda japonesa de Tóquio muito impressionante que toca música instrumental, com raríssimas aparições de vozes e versos, muita jam e improvisação. É um som limpíssimo, coisa difícil com o tanto de integrantes que têm (é praticamente uma big band). E super fora do óbvio mistura vários ritmos com a cozinha (baixo e bateria, parte rítmica) muito quebrada, uma bateria monstra na medida e cordas delicadas de melodias que fogem de escala convencional. Daí o lado math rock. Eu sempre penso, quando escuto Toe, que é uma trilha sonora perfeita pra qualquer coisa. Os cineastas deviam usar músicas deles pra embelezar os filmes. Apesar de ser viajandão progressivo, traz um minimalismo (irônico, não?), um som tão limpo e simples com delicadeza que acho que só sendo japonês mesmo pra conseguir. É prog sem ser metido a besta, sem excesso, é o equilíbrio exato de todos os elementos que misturam. Apaixonante.

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