terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cariocas revoltados (e empolgados) fazem vaquinha para ver shows de artistas gringos em casa

Com muitos shows gringos acontecendo no Brasil em 2010, principalmente em São Paulo, o Rio de Janeiro vinha sendo deixado de lado pelo que as grandes produtoras chamavam de “falta de público” e pelo que o público chamava de “falta de interesse das produtoras”.

Discutindo a situação, cinco amigos cariocas frustrados com a negligência perceberam que tinha público carioca para estes shows, sim senhor, pois assim como eles muitos conhecidos se incomodavam e nem todo mundo podia viajar pra ver as bandas que queria. Foi aí que bolaram um estratagema GENIAL, que pra mim é a maior retomada de atitude autônoma e independente de punk “faça você mesmo” do ano: resolveram organizar eles mesmos o show que queriam ver, bancando o cachê das bandas. Começaram com o grupo sueco Miike Snow, negociando com a equipe do Circo Voador, tradicional casa de shows da cidade. Seria preciso levantar R$ 20 mil para pagar o show dos europeus na terra da garota de Ipanema.

Então estes cinco amigos, que são Bruno Natal (editor do blog URBe), Tiago Lins (diretor de TV), Pedro Seiler (produtor do festival Indie Rock), Felipe Continentino e Lucas Bori recrutaram –  com uma grande ação na internet e forte uso das mídias sociais – outros cariocas para conseguir pagar a conta, dividindo o valor em 100 unidades (que seriam os “ingressos” mais alguns brindes como camisetas e pôsteres). Se as 100 partes fossem vendidas, o show estaria garantido. E eles conseguiram! Em apenas dois dias, 55 pessoas aderiram à campanha, além dos 5 amigos organizadores, totalizando assim o grupo auto-intitulado “60 cariocas empolgados”. O restante dos ingressos foi comprado por empresas que apoiaram a causa, como o canal Multishow.



Mesmo sendo pouco conhecida por aqui, a banda Miike Snow tocou nos principais festivais de música em 2010, incluindo os gigantes Coachella (EUA) e Glastonbury (Reino Unido); e produziu hits pop para artistas como Britney Spears (alguém lembra daquela música “Toxic”?), Madonna e Kylie Minogue. O grupo tinha apresentações agendadas para São Paulo, Recife e Porto Alegre, mas nenhum produtor do Rio tinha se interessado.

No fim das contas, o show de 20 de setembro no Circo Voador contou com um público de quase 900 pessoas (em plena segunda-feira!) e os 60 “empolgados” receberam seu investimento de volta, podendo assistir ao show de graça. A façanha teve boa repercussão na mídia, com matérias no Estadão e no Globo, mas foi na internet que a campanha bombou: dezenas de sites e blogs divulgaram a ação e redes sociais como Twitter e Facebook foram essenciais para que a arrecadação tivesse sucesso, recebendo muitos comentários durante todo o processo, principalmente no pós-show. Deu tão certo que os “60 cariocas empolgados” repetiram a estratégia para pagar o cachê de R$ 56 mil da banda escocesa Belle & Sebastian, que se apresentou no Circo dois meses depois; e já organizam novas campanhas.

Com o exemplo dos cariocas empolgados, podemos aprender lições importantes:
Não é necessário depender de grandes empresas e produtoras para organizar e financiar shows e festivais no Brasil;
Não adianta ficar só reclamando, é preciso se mobilizar e agir, procurando fazer sua parte (alou, slogan do SWU);
A internet e, principalmente, as redes sociais, têm mais força, poder e influência do que se imagina e são eficientes para divulgar campanhas e unir pessoas, assim como também foi demonstrado com as campanhas presidenciais de Barack Obama, nos EUA, e de Marina Silva, aqui no Brasil.

Um comentário:

  1. Que iniciativa egal a deles! :)
    Gostei muito... os meninos têm futuro! hahah!

    Júlia.

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