terça-feira, 29 de setembro de 2015

Melhor que o original - parte 2

Fizeram um cover genial de "Bitch Better Have My Money", da Rihanna. A versão brasileira e tecnobrega se chama "Bicha Pague Meu Dinheiro" e, depois que você assistir, vai ficar na sua cabeça por dias! O melhor é que, além da música, o clipe também foi refeito com esmero e boas atuações:



E essa coreografia? E o sapato jogado na cabeça da amiga que deve dinheiro? E o enredo, a perseguição, os "efeitos especiais", o final dramático e violento, as atuações, caras e bocas? E a letra genial? Ladrona-na! Minha cena preferida é a do poste (1min24seg). É bom demais!

Esse clipe maravilhoso é estrelado por Seketh Barbara, minha xará, interpretada de forma brilhante pelo ator Whallassy Oliveira. Todo o elenco do vídeo faz parte do grupo maranhense de teatro Okazajo, o que explica as excelentes atuações. O grupo teatral tem uma pegada bem cômica e popular, existe há 12 anos e costuma lotar teatros na cidade de Imperatriz, o segundo maior município do Maranhão, onde estão sediados.

O vídeo foi lançado há menos de duas semanas e já tem mais de um milhão de views! A cantora Anitta amou o clipe e divulgou nas suas redes sociais. Ela chegou a postar um vídeo dançando e cantando a versão parodiada, o que gerou bastante exposição para o grupo Okazajo. Eu acho que ficou melhor do que o original da Rihanna.

Ah, sim, o termo correto é "ladra" e não "ladrona". Mas damos um desconto pela licença poética da coisa. Espero que o grupo faça mais vídeos e peças e se apresente por todo o país depois desse sucesso!

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Melhor que o original - parte 1

A Taylor Swift tem só 25 anos e já é uma das cantoras pop de maior sucesso internacional. O último disco dela, que se chama 1989 (ano de seu nascimento), vendeu 5 milhões de cópias só nos EUA - um número muito expressivo em tempos de Youtube, streaming e mp3. O disco saiu em outubro do ano passado e vem acumulando muitos hits, que insistem em tocar repetidamente nas rádios do mundo inteiro. Hoje de manhã ouvi a mesma música dela (Blank Space) tocar em três rádios FMs diferentes quase que simultaneamente!

Enfim, não há como negar o sucesso de Taylor - e é difícil escapar das suas canções, que tocam o tempo inteiro em todo lugar, até grudarem na cabeça. Foi mais ou menos isso o que aconteceu com Ryan Adams. Para quem não conhece, Ryan é um músico americano que começou no punk, mas ficou mais conhecido por um estilo de rock alternativo, com pegada country e folk. Tipo isso aqui. E ele resolveu fazer covers de TODAS as 13 faixas do 1989, deixando as músicas mais simples, mais orgânicas, no esquema "guitarra-baixo-teclado-bateria" e só. Adams regravou o disco inteiro, faixa a faixa; e elogiou as músicas da Taylor, dizendo que mesmo em versões mais cruas as canções ainda continuavam muito boas e poderosas. O anúncio dos covers (feito no Twitter, aliás) surpreendeu todo mundo, porque o estilo de Ryan não tem nada a ver com o da Taylor.


Mas Ryan é fã dela. Os dois inclusive já se conheceram e gravaram juntos em 2012; e ele disse que desde que 1989 foi lançado não conseguia parar de ouvir o álbum. Aí, começou a tocar as músicas em casa, no violão...até que resolveu gravar suas versões. Na semana passada, Ryan lançou todas as covers em seu canal do YouTube.


E o resultado foi esse:












Pessoalmente, achei melhor do que o original. Fãs da Taylor, não me matem! Ela mesma adorou o projeto e disse se sentir honrada com as covers. Em uma entrevista para a BBC, Taylor disse que anda escutando tanto o 1989 cover que começou a cantar suas próprias músicas com a melodia feita pelo Ryan Adams - o que até atrapalhou um pouco a turnê do disco. Seus fãs também receberam a versão de Adams com entusiasmo. Tanto que hoje os dois discos - o 1989 original e o cover - ficaram entre os Top 10 da parada da Billboard nos EUA, sendo que o 1989 versão Ryan Adams passou na frente do original (!).

Pra quem achou Adams um oportunista querendo aparecer na onda do sucesso alheio, deixem o recalque de lado. O cara já tem mais de uma década de carreira solo bem sucedida, status cult, uma boa base de fãs (incluindo a própria Taylor Swift) e, antes de gravar sua versão do 1989,  fez dois álbuns só com canções inéditas em Nova Iorque, que devem ser lançados em 2016. Ele também tem uma discografia muito extensa: desde o ano 2000, quando estreou como artista solo, já lançou 14 álbuns! Curiosamente, o Ryan Adams também tem uma música que se chama My Wrecking Ball (mas não é cover da Miley Cirus)!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Sim, hoje é o Dia Mundial do Rock. Mas você sabe por quê?

Me recuso a escrever "hoje é dia de rock, bebê", que nem todo mundo tá fazendo. Mas, sim, hoje é um dia especia:, o Dia Mundial do Rock - eu adoro e acho que devia ser feriado.

Mas, afinal, vocês sabem por que raios escolheram o dia 13 de julho pra ser o Dia do Rock?

Porque no dia 13 de julho de 1985, há exatos 30 anos, aconteceu um festival gigante chamado Live Aid.

O Live Aid teve shows de Paul McCartney, Tina Turner, The Who, Elton John, Elvis Costello, Black Sabbath, Run DMC, Sting, Brian Adams, U2, Dire Straits, David Bowie, The Pretenders, Santana, Madonna, Eric Clapton, Duran Duran, Bob Dylan, Lionel Ritchie, Rolling Stones, Queen, Beach Boys e os três integrantes ainda vivos do Led Zeppelin (Robert Plant no vocal, Jimmy Page na guitarra e John Paul Jones no baixo) com ninguém menos que Phil Collins na bateria, substituindo a lenda John Bonham, que morreu em 1980.
Bono Vox, Paul McCartney e Fred Mercury

O festival foi uma forma de arrecadar fundos para combater a fome na Etiópia e foi organizado por Bob Geldof, então vocalista da banda Boomtown Rats. Os shows aconteceram nos estádios Wembley, em Londres (com direito a Lady Di e Príncipe Charles em cima do palco); e JFK, na Filadélfia. As 16 horas de música foram transmitidas ao vivo na televisão em mais de 100 países - uma audiência recorde na época. No final, o evento foi um tremendo sucesso e arrecadou mais de 100 milhões de dólares.

O show do Queen em Wembley foi um dos pontos altos do festival:



30 anos depois, a gente ainda comemora o Dia do Rock no mundo todo e ainda temos muitas bandas boas, novas e velhas, em ação. Long live Rock'n'roll!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Esse cara gravou um disco inteiro escondido em uma loja da Apple

O rapper americano Prince Harvey gravou um álbum inteiro escondido em uma loja da Apple em Nova Iorque. Ele mora no Brooklin e passou 4 meses produzindo seu disco na Apple Store do SoHo, em Manhattan.

Prince Harvey decidiu usar os computadores da Apple Store para gravar seu disco depois de o computador que tinha em casa quebrar e de seu HD ter sido roubado. Ele não tinha dinheiro para comprar equipamentos novos e queria muito gravar e lançar seu disco.

O nome do álbum, que será lançado agora em julho, é "PHATASS" - sigla para Prince Harvey At The Apple Store Soho - e também um trocadilho, porque soa como "fat ass", que significa "traseiro grande" em inglês. A primeira música do disco, "New Black", já está disponível no Soundcloud do artista e tem causado certa polêmica porque, além de ter sido gravada escondida em uma Apple Store, tem uma letra explícita ("I flow heavy like vaginas"):


"A Apple Store era minha segunda casa. Gravei o álbum inteiro lá. Muita gente começou a falar sobre isso, mas, honestamente, eu nunca pensei que seria essa polêmica toda. Eu só queria fazer música. A ideia de usar a loja da Apple foi do meu amigo Gordon depois de eu ter perdido meu computador. Mas estou grato por ter dado ouvidos a ele", disse o rapper em seu Instagram.

Os arquivos na memória dos computadores nas lojas da Apple são apagados todos os dias ao final do expediente. Mas Prince Harvey, esperto que só, encontrou uma forma de manter as gravações a salvo. Ele descobriu que, se deixasse seus arquivos dentro da lixeira, eles continuariam ali no dia seguinte, sem serem deletados. E assim, de segunda a sexta-feira, durante 16 semanas seguidas, o rapper passava o dia na Apple Store trabalhando em seu disco.

Uma curiosidade é que todas as músicas do álbum foram gravadas apenas com "sons humanos", vozes e palmas, sem nenhum som de instrumentos. O disco à capela foi pensado depois que o Prince Harvey lançou o single "No Music", em 2012, feito apenas com vocais, palmas e beatbox. Escute:


O rapper admite que ficou amigo de dois funcionários da Apple Store, que o ajudaram a terminar o disco apenas deixando-o usar os equipamentos da loja sem expulsá-lo de lá. E foi assim que Prince Harvey completou a façanha de gravar um disco inteiro usando apenas sua voz, seu corpo, um microfone e um computador emprestados.

“Eu não acho que eu sou pobre. A pobreza é uma mentalidade. Quero dizer, eu posso até estar falido, sem grana no bolso, mas nunca fui pobre. FUi rico a minha vida toda. Mas é claro que eu quero fazer dinheiro. Quero fazer turnês. Quero me apresentar para diferentes públicos. Porra, eu tocaria até na Antártida se os pinguins estivessem interessados", brinca ele.

“Eu sou apenas um criador. Quero inspirar outras pessoas a criarem. Quero mostrar que você não precisa de um monte de coisas para ser bem sucedido". Um cara sábio.

FONTES: Buzzfeed e The Daily Beast

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Porque eu não posso andar de boa na rua

O feminismo é necessário porque eu não posso andar de boa na rua.

Blog não é diário nem psicólogo, eu sei, mas há muito tempo venho querendo fazer esse desabafo. Ontem à noite peguei um táxi sozinha e o taxista ficou me xavecando na maior cara de pau durante todo o trajeto. Não foi a primeira nem a vigésima vez que passei por uma situação dessa. Eu respondi, tentei fazer o cara se tocar que além de ser errado é muito anti profissional e tudo mais, reclamei dele na empresa de Táxi...Segunda-feira eu tava andando no quarteirão da minha casa, de calça comprida e camiseta, sem decote, sem maquiagem, sem nada "provocativo" (antes que venham com essa ideia absurda de que se você é assediada é porque mereceu), e um cara veio me xavecar no meio da calçada, do nada.

Ser mulher, infelizmente, é isso: nunca te deixam em paz. Não pode andar na rua, não pode sair de casa (seja sozinha ou acompanhada), não pode usar transporte público, não pode usar a roupa que você tiver vontade, não pode tomar um táxi sem sofrer assédio. Não importa que roupa se esteja usando, não importa sua idade ou aparência. Eu não me sinto livre. Me sinto reprimida, oprimida, ofendida, abusada. Não tenho mais medo, tenho raiva. Respondo sim, sempre reajo. E espero que mais pessoas passem a enfrentar o machismo e se defender ao invés de abaixar a cabeça e deixar quieto, pra ver se um dia essa realidade de merda muda.

Eu andando na rua em 2008
Eu vou usar saia curta e decote sim, vou andar sozinha à noite sim, vou num show sozinha sim, vou em festa sim, vou beber se eu quiser, vou transar se eu quiser, e NADA disso pode justificar um assédio ou um julgamento, porque isso tudo não define meu caráter e porque o cara que assedia é que está errado - e não minha roupa ou meu comportamento. Chega de culpar as vítimas! Temos que ensinar "não estupre" ao invés de "não seja estuprada".
Isso que rolou ontem me deixou bem brava. E por coincidência essa semana conversei muito com alguns amigos sobre uma pesquisa que saiu sobre machismo (essa aqui). Os resultados são assustadores, nojentos, indignantes, mas infelizmente são também apenas um reflexo da realidade e do que eu e todas as mulheres sofremos todos os dias.

O feminismo é e será necessário até o dia em que eu puder andar de boa na rua sem ninguém mexer comigo (além de outras coisas, como o dia em que minha empresa tiver o mesmo número de chefes homens e mulheres, e o dia em que um festival de música tiver a mesma quantidade de homens e minas tocando no palco, por exemplo). Acho que já passou da hora de mulheres e homens fazerem alguma coisa concreta pra mudar essa realidade.

Eu não vou ficar quieta, eu não vou trocar de roupa, eu não vou deixar de sair nem deixar de lutar por um mundo melhor até conseguir fazer alguma diferença. Beijo tchau.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Cinderella: o filme

Depois de revisitar a história da Bela Adormecida com o filme "Malévola", a Disney prepara mais um grande lançamento para o ano que vem: é o filme Cinderella, que será lançado nos Estados Unidos no dia 13 de março de 2015.

Ao contrário do que foi feito em "Malévola", na versão live-action de Cinderella a história se mantém bastante fiel à animação lançada pela Disney em 1950 - pelo menos é o que parece pelo trailer. A diferença é que o filme novo conta a história dos pais da Cinderella com mais detalhes - mostrando inclusive cenas da protagonista com sua mãe.

O novo filme conta com a participação de grandes atrizes, como Helena Bonham Carter no papel da fada madrinha e Cate Blanchett como a madrasta malvada.


O trailer oficial do filme foi divulgado hoje. Confira:



Veja a página oficial do filme no Facebook.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

São Paulo: a cidade mais subestimada do mundo / the most underrated city in the world

To all my friends abroad: this is my hometown and that's why I love it!
E pros amigos brasileiros e paulistanos...vamos dar mais valor pro que a gente tem.



O maravilhoso vídeo sobre São Paulo foi feito este ano pela série Breaking Borders, que registra a trajetória de dois californianos de São Francisco viajando pela América do Sul. Eles tentam mostrar a realidade dos locais que visitam fugindo de clichês e estereótipos.

O Breaking Borders é feito por Nick Neumann (cineasta), Walker Dawson (fotógrafo e apresentador que aparece no vídeo) e Chris Moreno (escritor).

Confira a página deles no Facebook e também o site oficial.

sábado, 27 de setembro de 2014

Quais são os seus 10 discos preferidos?

Meu amigo e ídolo carioca, Bernardo Fajoses Barbosa, me desafiou a listar os 10 álbuns que eu levaria pra uma ilha deserta. Puta sacanagem, porque escolher só dez é complicadíssimo pra quem é doido por música que nem a gente. Então listei os dez primeiros que me vieram à cabeça, mas que tivessem algum significado pessoal pra mim. Escolhi, entre os que eu mais ouvi na vida, os que de alguma forma me marcaram e/ou influenciaram. Sem uma ordem específica. Esses álbuns eu ouvi mil vezes, sei de cor todas as letras, a ordem das músicas e tal.

1) From Here To Eternity - The Clash
Eu sou obcecada sim por essa banda. É minha banda preferida. E esse é o disco deles que eu mais ouvi em toda a vida. Ainda escuto direto, nunca tiro do iPod, é quase um mantra pra mim. É uma coletânea ao vivo. O Clash no palco era muito diferente do que em estúdio - e, na minha opinião, melhor. Você sente toda a força que a banda tinha, era uma performance muito intensa, eles davam importância pro conteúdo, pras letras, tentavam passar uma mensagem e conscientizar as pessoas através da música. Eu acho isso incrível. E amo a força punk das músicas ao vivo, as guitarras do Mick Jones, tudo. Sei de cor até as conversas deles com o público nos intervalos das músicas. Acho que é meu disco preferido de todos os tempos. E olha que escolher um só é super difícil.

2) The Libertines - The Libertines 
Eu escutei demais esse disco. Demais mesmo! Minha família ficava irritada quando eu punha pra tocar de novo, pela milésima vez. Nessa fase eu tinha uns 15 anos, e tinha alguns CDs que sempre ouvia muito, no repeat. Além do Libertines, tinha o Franz Ferdinand, os Strokes, os Arctic Monkeys. Mas, não sei explicar por que, esse aqui era o que eu mais gostava. Perdi todos os shows do Libertines no Brasil. Só vi um solo do Carl Bârat no Beco da Augusta, mas não era a mesma coisa. Aí esse ano, quando estava morando em Londres, dei a sorte de ir no show de reunião da banda. E eu chorei de tão emocionada. Foi a nostalgia da parte boa da minha adolescência.

3) Acabou Chorare - Novos Baianos
Meu disco nacional preferido, ganha disparado. Acho uma obra prima. Amo tudo, os instrumentos, as letras, a mistura de música tradicional brasileira com rock e um dos melhores guitarristas que já ouvi (o Pepeu Gomes). Toda vez que escuto esse disco eu fico feliz. Posso estar deprê, tendo um dia péssimo, se escuto isso me sinto melhor. É mágico. E foi um disco que ouvi muito com minha irmã e meus primos, de férias na praia, enquanto a gente se divertia. Somos muito unidos e amigos. Talvez seja por isso que sempre me traga uma sensação boa, porque foi trilha sonora de momentos super felizes da minha vida, com pessoas que amo muito.


4) Californication - Red Hot Chilli Peppers
Esse entrou na lista porque eu sempre ouvi DEMAIS. Desde que eu tinha uns 13 anos e descobri o RHCP. Ele também nunca sai do meu iPod e ouvi o CD tantas vezes que poderia ter riscado. Nem sei explicar por que gosto tanto. Mas se fosse contar os discos que ouvi mais vezes na vida esse estaria entre os 3 primeiros fácil. Acho que só perde pro Clash! Adoro os caras, mas nem é uma das bandas que mais amo. Só que sou viciada no Californication, acho uma obra prima, impecável do começo ao fim. Lindo. Me acompanhou em todas as fases da vida desde o começo da adolescência, sempre fez sentido, sempre teve uma letra com a qual eu me identificasse.

5) There Is Nothing Left To Lose - Foo Fighters
Foi o primeiro CD que eu comprei. Eu tinha 11 anos e gostava de Spice Girls! Ainda gosto delas, podem me julgar. Mas foi assim...eu era criança ainda, só conhecia as bandas de rock que meu pai gostava, os clássicos, tipo Doors, Led Zeppelin e AC/DC. Aí comecei a andar com uma turma mais velha na escola. Eles andavam de skate e ouviam muito rock anos 90, grunge, Pearl Jam e Nirvana. Eles me mostraram esses sons e eu pirei. Eu gostava muito do Nirvana mas não entendia muita coisa ainda. Uma menina que chamava Amanda, que era minha maior inspiração, me falou que o Nirvana tinha acabado porque o vocalista e guitarrista morreu. Mas que o baterista tinha montado uma banda nova chamada Foo Fighters que era muito boa. Ela tinha esse CD, me mostrou e eu gostei demais. E na época eles apareciam muito na TV, no rádio e nas revistas, era uma coisa mais acessível. Foi a primeira banda de rock que eu gostei que não foi influência do meu pai. Aí juntei um dinheirinho e foi o primeiro CD que comprei "sozinha" na vida. Escutei muito, tenho um carinho enorme por ter me aberto portas para centenas de outras bandas. Gravei um EP esse ano e a capa dele vai ser inspirada nesse disco. Me marcou muito esse álbum e o Foo Fighters é até hoje uma das minhas bandas mais queridas.

6) Blind Pigs - Blind Pigs 
Eu amo punk rock e hardcore. Mas quando eu era adolescente eu era obcecada. E essa banda eu acompanhei de perto. Cheguei a conhecer os caras, fui em muitos shows, tinha todos os discos, aprendi a tocar as músicas, sabia todas as letras de cor. Era muito legal poder estar perto de uma banda que eu gostava, ter acesso aos artistas. Eles eram gente fina e sempre conversavam com os fãs. As outras bandas que eu ouvia eram gringas e muito grandes, completamente inacessíveis, ou então já tinham acabado porque eram muito velhas (que nem o Clash). Esse CD é o que eu mais ouvi deles, era meu preferido. Conheci a banda por causa do Rudá Magalhães , meu melhor amigo. A gente tinha 13 anos e tava na sétima série. Muita coisa que eu gosto é culpa do Rudá, ele descobria sei lá como várias bandas e vinha me mostrar. A primeira banda que tive na vida também foi junto com ele. Aprendi muito com esse japonês safado, hahaha (te amo, Lucy).

7) The Donnas - Spend The Night
A prova de que mulher sabe tocar sim e que ainda existe muito machismo no mundo. Essas meninas foram a maior inspiração da minha vida. Eu ainda quero tocar que nem a Allison Robertson um dia. Sempre quis ter uma banda só de mulher. Adoro o estilo delas, as letras divertidas. Esse disco também é um baita elixir contra a deprê, toda vez que ouço me coloca pra cima. Meu preferido delas e provavelmente uma das minhas maiores influências.




8) Ecos Falsos - Descartável Longa Vida 
Essa banda teve uma história parecida com a do Blind Pigs pra mim. Eu descobri eles por acaso e comecei a acompanhar, ia em todos os shows. Eles eram super humildes e acessíveis e de tanto eu ir ver os caras tocarem acabamos mantendo contato e fazendo amizade. Eu amo as letras inteligentes deles. E era muito bom poder acompanhar de perto uma banda que eu gostava tanto. Tive muita sorte na vida, porque todos os ídolos que conheci não me decepcionaram. Eu admirava muito os caras do Ecos e, depois de conhecê-los pessoalmente a admiração e o carinho só aumentaram, porque são pessoas muito boas. Ainda escuto direto esse disco, esse e o Quase (o segundo e último álbum deles). Eu mostrei essa banda pra muita gente, fazia a maior campanha pra eles, divulgava sempre, e uma vez eles tocaram no meu aniversário! O show deles foi o melhor presente que já ganhei. Ainda insuperável! Além disso tive a grande honra de ter o Vinícius Favaretto participando do meu EP. Ele fez parte da última formação do Ecos, me ajudou muito a fazer meu disco e é um dos músicos mais talentosos que conheço.

9) Band of Gypsys - Jimi Hendrix 
Esse disco é uma viagem. Eu ponho pra tocar e parece que fui pra lua, me desligo de tudo e só consigo prestar atenção na música. O Jimi é meu guitarrista preferido. Ele me faz querer tocar guitarra. Ele me faz querer cantar. Sempre que escuto esse disco me arrepio. É ao vivo, é um power trio, é uma coisa muito simples, muito orgânica  e muito humana, sem um monte de produção e retoque, e ainda assim soa perfeito. Os três músicos são extremamente talentosos, o baixista Billy Cox e o baterista Buddy Miles também merecem todos os louros. É uma performance intensa, com muito feeling e soul, e tem muita virtuosidade mas nada de arrogância ou exibicionismo barato. Tem banda que é extremamente competente, os caras tocam pra caralho, mas acho uma chatice. Tipo o Dream Theater. Sem ofensa, é só minha opinião. Acho que tem que ter suingue, alma, me ligo mais em performance e intensidade do que eu habilidade técnica. Mas a Band of Gypsys consegue fazer os dois. É impressionante. Esse é meu registro preferido do Hendrix e eu escuto muito desde que descobri que o disco existia. Comprei na galeria do rock quando eu tinha 17 anos sem nunca nem ter ouvido falar desse power trio dele. Quis comprar porque era um disco do Jimi Hendrix que eu nunca tinha visto antes. Quando fui pro caixa o vendedor falou "Olha, menina, você escolheu bem. Isso aqui é uma pérola, você vai amar". Depois que cheguei em casa e escutei esse CD juro que mudou minha vida. Ainda lembro da minha reação de surpresa e arrebatamento quando ouvi esse álbum pela primeira vez, sentada no chão do quarto, aproveitando que estava sozinha em casa para aumentar o volume o máximo que podia.

10) Monica Salmaso - Voadeira
Fui num show da Monica quando eu tinha 12 anos com a minha mãe. Ela já adorava a Monica, tinha vários CDs e ouvia em casa comigo. Eu gostava muito desse disco em especial. Ela é minha cantora preferida e é maravilhosa, tem uma técnica vocal incrível, é super simpática e sua voz é muito especial, tem um tom único. É diferente da maioria das cantoras de MPB. O repertório dela não é meu estilo de música preferido, não tem nada a ver com os meus roquenrrou, mas me ganha. Sou apaixonada pela Monica. E depois de ver ela ao vivo gostei ainda mais. Ainda escuto muito esse disco. Ele representa um laço bonito com a minha mãe e me abriu a cabeça pra ouvir coisas diferentes. Depois disso comecei a ouvir mais música brasileira, descobri o jazz e o samba e conheci muitos outros artistas maravilhosos.


E você? Quais são os seus 10 discos preferidos?

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O “Parto” é a morte e o ápice da Jennifer Lo-Fi











A banda paulistana Jennifer Lo-Fi acabou de lançar um novo EP com três músicas não tão novas assim – as canções foram escritas há cerca de três anos e tocadas pela banda “até o cu fazer bico”, como diz o baterista Luccas Villela, mas demoraram a ser gravadas e lançadas. O anúncio de que o EP seria lançado foi feito no meio de 2013, quando a banda também anunciou que entraria em hiato porque a vocalista Sabine Holler foi morar em Berlim. Mas as músicas só saíram agora, quase um ano depois. E é justamente por causa da demora que o EP foi batizado de “Parto”. E, antes que você me pergunte, infelizmente eles ainda estão em hiato e ninguém sabe se a banda vai voltar ou não um dia. Mas eu espero que sim :)

“Decidimos fazer o EP no nosso tempo, sem interferência de horas de estúdio e os caralho. Gravamos tudo em casa de forma ‘amadora’, com a ajuda de vários amigos. As músicas são da maneira que deveriam ser”, diz Luccas. Concordo com ele. Para mim, esse EP é o ápice da Jennifer Lo-Fi. A banda tem uma identidade própria muito forte e achou um som que é a sua cara, extremamente característico. Acompanho o grupo desde o começo, estava no primeiro show deles, inclusive. E posso afirmar sem dúvida alguma que foi uma grande evolução de 2008 pra cá. A começar pela Sabine, líder da banda, responsável pelas letras e vocais (e também algumas guitarras e outros instrumentos). Para mim, este EP é a melhor fase dela. Os vocais cresceram e evoluíram muito. A voz está mais linda e gostosa de ouvir do que nunca. Ela sempre foi boa, mas agora o conteúdo das letras e as rimas impressionam ainda mais, assim como a interpretação, os diferentes tons que ela alcança e os backing vocals feitos por ela mesma, que tecem uma manta de vozes perfeita – sem falar nos gritos, que são ótimos e ainda estão lá. Rock’n’roll!

A parte instrumental também evoluiu. Odeio escrever o clichê dos clichês e dizer que a banda cresceu, mas nesse caso é inevitável – me desculpem. Em “Parto”, a Jennifer Lo-Fi consolida seu estilo, suas características mais marcantes aparecem junto a algumas tentativas bem sucedidas de arriscar coisas diferentes, e as letras agora vêm todas em português, mas continuam com a mesma essência de sempre – só que cada vez melhores. Eles acharam o som que era a cara deles e conseguiram aperfeiçoá-lo sem deixar de lado sua identidade. Perguntei para o Luccas como tinha sido essa mudança total para o Português e se isso tinha de alguma forma afetado a autenticidade da banda. Ele respondeu assim: “Foda-se o inglês. Somos do Brasil e procuramos não soar como brasileiros, tentando fazer um som ‘internacional’”.

Agora, vamos às músicas. Cada uma delas tem pequenos tesouros que valem a pena ser descobertos. E, a cada audição, mais detalhes bonitos aparecem. Recomendo que você escute o EP inteiro umas cinco vezes. E pode até ser cinco vezes seguidas, porque é curtinho e bom demais e certamente não vai enjoar.
É uma pena que não se saiba o futuro da banda depois desse EP. Espero que ele não seja o último registro deles, que estavam em sua melhor forma.

FAIXA A FAIXA
O “Parto” começa com “Acardia”, que tem um riff bem sujo e pesado no começo, meio rocão, até meio stoner. Mas aí começa o som lo-fi característico deles: entra a bateria quebrada do Luccas, que nunca é óbvia (e isso é o que eu mais adoro nele tocando) e a Sabine cantando uma declaração de amor tão singela que você demora um tempo até entender do que ela está falando. A letra não é nada melosa, mas fala dos sintomas que o amor causa. A música tem um fim meio arrastado, só que aí, nos últimos segundos, entra uma guitarrinha maravilhosa, o rocão volta, você acha que a música vai crescer de novo...mas acaba. Pegadinha do Mallandro! Deixa a gente querendo ouvir mais.

Em seguida, o EP continua com uma música de quase dez minutos e de nome esquisito: “Frank.Bruxelas.?????”. Os dez minutos não soam arrastados porque a Jennifer Lo-Fi é uma banda que sabe criar climas, transformar uma música em muitas, quebram a estrutura e constroem algo novo. Cada parte é um universo, uma sensação diferente, um som diferente. E é exatamente isso o que eles fazem aqui. A coisa vai fluindo numa fruição incrível e você nem percebe passar. Eles fazem isso em todas as canções do EP, na verdade. E é brilhante. Mas aqui, com mais tempo, fica ainda mais evidente. Essa música também é a mais parecida com o trabalho do disco “Noia”, lançado por eles em 2011.
“Frank.Bruxelas.?????” tem um samba no meio (!), com apito, bandeira e guitarrinha suingada. Depois, acaba com um clima bem blues, baixo pesado, vocal sensual e sussurrado. Aí volta o clima mais soturno e o rock e a canção fecha com um coro contagiante.

O EP termina com a canção “Épica”, que realmente soa mesmo épica, cheia de guitarras, riffs e solos. É uma coisa meio Led Zeppelin. No meio do caminho, a música descamba pra uma batucada doida que parece tropicália ou afrobeat, mas as guitarras setentistas continuam mais altas que tudo, o rock volta, e depois morre de novo. O final parece música indiana ou marroquina, misteriosa, cheia de flautas e batuques ritmados. Gosto muito dessas rupturas e de como a Jennifer Lo-Fi é totalmente imprevisível – e por sempre surpreenderem de forma positiva.

ESCUTE "DJÁ"!



Dá para ouvir o “Parto” na íntegra no Bandcamp da banda. Na mesma página, também é possível fazer o download de todas as músicas de graça. O EP foi gravado e produzido pela própria banda e pelo amigo Diogo de Nazaré; e masterizado nos EUA por Chris Hanzsek, que já trabalhou com o Melvins e o Soundgarden. A arte da capa, com os gatinhos coloridos psicodélicos, foi feita pela Jéssica Fulganio – que é baterista da banda Ema Stoned, outro grupo da Sabine, formado só por garotas. Não deixe de ouvir!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

GRATIDÃO

Hoje, eu completei dois meses em Londres. E só consigo pensar em uma coisa: GRATIDÃO. Essa é a minha palavra para 2014. Eu sei o quanto sou privilegiada por poder realizar todos os meus sonhos. E estou tão feliz que nem acredito na minha sorte. Preciso agradecer mais uma vez à minha família que me apoiou tanto em tudo que eu sempre quis fazer na vida. Eles são incríveis.Principalmente minha mãe e minha avó. Elas sabem que sem a ajuda delas eu não estaria aqui vivendo tudo isso.

Quero voltar pra casa cheia de histórias pra contar; e podem ter certeza de que cada segundo está valendo a pena. Esses dois meses morando aqui são uma dimensão de tempo muito distorcida. Passou super rápido, parece que cheguei ontem e não quero nem pensar em ir embora. Mas ao mesmo tempo também parece que eu moro aqui há séculos, a saudade aperta às vezes e sinto falta de casa - e, principalmente, sinto falta dos meus. É muito engraçado. Eu só lembrei que era hoje o "aniversário" de 2 meses morando em Londres às 23h, saindo do metrô, a caminho de casa, quando dei de cara com um luminoso que dizia a data e a hora. Pontualidade britânica, né.

E foi uma tremenda coincidência ter passado esse dia "especial" fazendo coisas que eu tanto amo: viajando de trem pra praia com amigos, passando a noite em um parque de diversões (daqueles à moda antiga, com carrinho de bate-bate e barraca de tiro que dá de brinde um urso de pelúcia gigante e coisa e tal, sabem?), chegar em casa com os sapatos cheios de areia, o corpo cansado e a cabeça a mil, explodindo de felicidade. E aí, quando chego na porta do meu quarto, descubro que meu amigo italiano que mora comigo me deu de presente uma bandeira do Brasil enorme. Volto pra sala pra agradecer e ele está assistindo "Into The Wild". Vi o filme junto, me emocionei com a história do Chris McCandless pela milésima vez; pensei um monte de coisa bonita e o que mais bateu forte no meu peito foi isso: GRATIDÃO. Imensa. Por tudo mesmo.

O mundo tem sido muito bom comigo. Espero poder ser boa com ele de volta, ajudar pessoas, transmitir amor, cuidar desse planeta. Ser uma amiga tão boa quanto os meus amigos são para mim - principalmente os novos, que têm me ajudado a viver feliz aqui, a 10 mil quilômetros de casa. Isso tudo pode até soar como melação hippie mas eu juro que é verdade, de coração. E precisei vir aqui, escrever e contar tudo isso pra vocês. Porque "Happiness is only real when shared".